terça-feira, novembro 29, 2005

[DISCO] Boards of Canada "The Campfire Headfase"

Boards of Canada - The Campfire Headfase

O último disco dos Boards of Canada (BoC), “The Campfire Headfase”, foi lançado em Outubro passado pela WARP sob grande expectativa dos admiradores do duo composto por Mike Sandison e Marcus Eoin. Estes apenas recentemente se declararam irmãos, como já desconfiava a horda de fans da banda; Estranho este pormenor do par visto que o recato, a reserva e o anti-estrelato (comum em artistas de música electrónica ao contrário dos criadores de música rock e pop que (sobre)vivem do “star-system”) sempre foram apanágio do duo escocês. Talvez pela busca incessante e por vezes quase arqueológica de trabalhos e notícias suas realizados pelos admiradores. Cansados desta “aura” os BoC “quiseram” cair nas “bocas do povo”: as entrevistas em revistas multiplicaram-se (inclusive com fotos do duo) e as notícias tão bem comercialmente geridas pela WARP espalharam-se nos fóruns de discussão pela Internet.

“The Campfire Headfase” apresenta-se por fora como um legítimo seguidor dos trabalhos anteriores “Geogaddi” e “Music as the Right to Children” (mais deste), mas em relação ao conteúdo melódico, nem por isso. Especulava-se uma grande viragem na sonoridade BoC, cujos BoC são os próprios (e únicos) autores. Grande viragem não será, mas antes q.b. Alguns dos elementos tradicionais e estruturantes dos Boards of Canada mantêm-se e outros alteram-se: a ausência de vozes infantis e/ou mensagens faladas faz-se notar. No entanto, o “low-fi” característico permanece fortalecido pela adição de instrumentos acústicos como a viola adulterada e suja, efeito da preferência de Mike Sandison e Marcus Eoin. Deste modo, as faixas com viola são condimentadas com lençóis de sintetizadores rugosos e vacilantes (“Chromakey Dreamcoat”, “Satellite Anthem Icarus” e “Hey Saturday Sun” são exemplos); Nesta altura lembramo-nos de “Music as the Right to Children” em detrimento de “Geogaddi” pela aproximação mais ingénua que dura. Por outro lado, a leitura de “Dayvan Cowboy” sugere-nos algo mais: a inclusão de uma guitarra eléctrica (instrumento “maldito” na música electrónica que vem, cada vez mais, ocupando espaço nesta) com efeitos ecosféricos confere a espacialidade própria dos BoC. Nesta faixa os BoC foram longe: ouvem-se duas e não uma música: A componente rítmica rica, texturada e cortada e colada complementa a harmonia do sintetizador, mas rouba-lhe protagonismo devido à forma sumarenta que impõe à música. Sem dúvida, um dos pontos altos de disco que corrobora a informação de Mark quando diz que o trabalho sobre os sons, individuais e em conjunto, foi intenso: “enquanto outros andam às voltas numa música durante quatro dias, nós gastamos o mesmo tempo a aperfeiçoar um som específico como um som de tarola”.

Ainda (e sempre?) agarrados a uma estética sonora vintage, há muito apegada ao universo multimédia do final dos anos 70 e 80 (isto é, TV e rádio) os BoC mantêm, nesse esquema sonoro, a sua base de onde evoluem; Aliás a crítica acusa-os de se rarefazerem o suficiente para se perguntar se os fans manterão a quase religiosidade que os caracteriza. Durma a inteligentsia literária-musical descansada que as raízes se mantêm e que os Boards os Canada não fazem audio-books bíblicos: têm, como todos os artistas, a liberdade de se mover no sentido que melhor entenderem, mas a ITT Ideal Color conserva ainda os documentários do National Filmboard of Canada.

Para quem não apreciou os trabalhos anteriores dos Boards of Canada, “The Campfire Headfase” será apenas um excelente disco de IDM. Não tão grandioso como “Music...”, pelo menos na interpretação do consumidor, mas suficiente para ter este disco na discografia de um amante de música electrónica.

[Boards of Canada, “The Campfire Headfase” 2005, WARP – warpcd123]

sexta-feira, novembro 25, 2005

[NET] Musiquelibre.org

A Musiquelibre.org é o um site com a finalidade de publicitar e divulgar a música "livre", isto é, livre de quaisquer encargos para o consumidor final. As netlabels são, obviamente, a matéria prima desta organização (A TestTube - netlabel portuguesa - já teve um apontamento no site). Como portal de novidades e como veículo de informação variada na área do direito de autor e música gratuita vale a pena a visita.

sábado, novembro 12, 2005

Carta de demissão

Venho por este meio informar os restantes companheiros de redacção que não poderei continuar com os meus serviços nesta casa. Após um ano de actividades, que penso terem sido proveitosas e que muito me orgulho me deram e dão, sinto ser o momento de deixar o OTITES, pois não posso deixar de me sentir injustiçado.
Apresento então as minhas razões.
No final de Setembro, fiquei comissionado de ir até à ilha do Pico fazer uma reportagem sobre os cantares polifónicos daquela região, da sua riqueza e da sua semelhança com o onírico canto das baleias.
Trabalho feito, com conclusões espantosas e surpreendentes e ao me aprontar para o publicar por aqui, a redacção do OTITES, informa-me que as despesas que contraí em viagens, alojamento, alimentação e afins teria de ser suportada pela minha pessoa visto que meus queridos colegas tinham esturrado todo o orçamento numa noite de perdição motivada por algo que nem eles se lembram.
Fiquei portanto encalhado em solo açoriano sem ter maneira de regressar e onde tive de arranjar outra ocupação para pagar as dívidas entretanto contraídas.
Sinto portanto que os meus tempos de OTITES chegaram assim ao fim. Sem mágoa, mas a 1500 kms de casa e com meio Atlântico pelo meio.
Agradeço de viva voz aos meus colegas de redacção, a todos os leitores que passaram por meus textos e mais ainda àqueles que os comentaram e às strippers que ficaram com o dinheiro que pagaria meu regresso ao continente.

Atenciosamente, perdido em Porto Pim.

P.S. Na marina de Faial, uma figura que não posso deixar de mostrar por aqui e sobre a qual escrevi com imenso gosto.


quinta-feira, novembro 10, 2005

“Sob um ponto de escuta vulnerável”

Do soft tecno à electrónica downtempo.

É um tanto ou quanto difícil falar de um disco quando não o ouvimos na íntegra. Infelizmente, é o caso da nova compilação meadow: cottage industries 4 da etiqueta Neo Ouija lançada em Abril deste ano. Mas, precisamente, por se tratar de uma compilação parece-me não ser muito grave falar do referido trabalho de uma forma superficial. O referido vol .4 foi álbum da semana na boomkat.com e, creio, que isto deve querer dizer alguma coisa…Conheço as cottage industries 2 e 3 antecessoras desta que aguarda,auspiciosamente,por uma audição mais pormenorizada. E, embora esteja sob um ponto de vista auditivo algo vulnerável, é certo que já escutei algumas faixas dos projectos que integram este lançamento. Sou suspeita porque aprecio imenso o trabalho desta etiqueta e conhecendo alguns nomes de "outros Carnavais”, não hesito em aconselhar a audição deste meadow vol4. Por outro lado, sabemos como este tipo de registo dos artistas que fazem a “casa” é sempre uma excelente forma de arquivo para a posteridade e de divulgação quando se trata de querer colocar as “orelhitas no ar” a quem compra…e a quem ouve!E, de facto, o que me traz hoje aqui é divulgar este belíssimo label que é a Neo Ouija. Possuidora de um catálogo que ainda não é muito vasto mas esperemos que para lá caminhe, tem também uma loja, uma rádio on-line e os sempre tão apetecidos links para outras dimensões virtuais(a dos artistas). Esta marca deu e dá a conhecer nomes como os de Apparat, Kero, Kettel, os incontornáveis Funckarma, (aqui com apenas um single), ou os sofisticados Metamatics.Não me sinto, rigorosamente, nada obrigada a “escamotear” sobre as sonoridades de todos estes senhores, de como fazem o que fazem, e/ou quem lhes terá servido de influência e mais não sei o quê…Contudo, dizem os especialistas que isto é a chamada emotional electronic music ou easy listening electrónica.Entre os nomes deste vol.4 destaco:Sense o projecto musical que me deu a conhecer esta editora quando lançou o seu primeiro longa duração “A View from a Vulnerable Place” : ), em Setembro de 2002 e que voltei agradavelmente surpreendida a ver aqui neste registo mas agora de forma mais “re-dimensionada”; Pandatone uma electrónica delicodoce com voz masculina a debitar palavras meio entorpecidas e vá se lá saber porquê, com efeitos sonoros muito à la Postal Service, The Notwist e, quiçá, Four Tet (embora o “fundo” electrónico não tenha nada a ver, o que é por sua vez curioso); por fim, Xela um projecto um pouco mais intrincado na sua sonoridade e que conheço de umas andanças um tanto ou quanto vãs(?!) podendo chamar-lhes de "experiências complexas em tempo real" para tentar assimilar audiófila e calmamente novas fronteiras sónicas no meu sofá… Por outro lado, não posso deixar de referir que este músico lançou em 2003 o muito aclamado álbum “For Frosty Mornings and Summer Nights” e o ano passado, em Março, pela “mão” da germânica City Centre Offices o não menos interessante “Tangled Wool”.Agora vamos a coisas sérias e palpáveis, quero eu dizer, audíveis: o site da Neo Ouija possui um link verdadeiramente deslumbrante que é o da rádio on-line, se assim lhe pudermos chamar, Systrum Sistum, uma verdadeira caixinha de surpresas!
É imperativo ouvir o que tão generosamente aqui nos é oferecido.Verdade seja dita que, por enquanto, nem tudo está a funcionar a 100% neste site mas o que conseguimos fazer chegar até às colunas do nosso PC é puro deleite “in streaming”…
Boas audições e até uma próxima oportunidade.

quinta-feira, novembro 03, 2005

[COMUNICADO] MTV Europe Music Awards

Vem, por este meio, a gerência do Otites desmentir as infames notícias publicitadas a nível nacional que uma equipa de repórteres deste blogue estaria presente no MTV Europe Music Awards.

De facto, perante a linha editorial a que nos propusemos, nunca estaríamos presentes num evento deste género. Aliás até porque o podemos vêr à borla aqui. À hora de fecho deste post a Shakira ainda não tinha aparecido.

A gerência.

 

 

 

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