quinta-feira, março 31, 2005

[Concerto] Dead Can Dance em Barcelona

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Motivos de força maior levaram metade da redacção do OTITES a deslocar-se a Barcelona. A reunião e consequente tour dos Dead Can Dance, deu origem a um vazio nos nossos escritórios apenas comparável ao vazio que aqueles que não se puderam deslocar à cidade condal sentiram na alma.
O dia, 22 de Maio do presente ano.
O local, o excelente Auditório de Barcelona.
O que lá se passou, segue aqui em baixo na visão de Serebelo, Kid Cavaquinho e Escrito.
A redacção do OTITES pede a compreensão dos leitores pela óbvia falta de objectividade que os próximos textos terão. É que é completamente impossível ser objectivo quando se escreve sobre o que lá se passou.



» Por Serebelo

Os primeiros sons de “Nierika” despertaram-me para a realidade. Estava de facto ali, a ver e a ouvir os DCD. A excitação até aí presente deu lugar a um estado de alerta, estado esse que me permitisse realmente aperceber o que acontecia, e não o que muitas vezes imaginei.
Para essa mudança de estado de espírito muito contribuiu o som das primeiras músicas. Este não estava conforme a excelência da banda em causa. Lembro-me que as três primeiras músicas tinham um som que eu apelidaria de péssimo, mas isto tendo em conta que estávamos a ouvir os DCD e numa sala com a superior qualidade do Auditório. O grau de exigência roça portanto a perfeição. Menos que isso não seria próprio.
Talvez o problema fosse da sobrelevação da plateia em que me encontrava, mas rapidamente o som melhorou consideravelmente. Apenas um problema com a voz de Brendan Perry, me condicionava o prazer (soube depois que a voz deste, tinha de facto alguns problemas). Quando chegava a altura de Lisa Gerard cantar a solo, tudo melhorava e na fase inicial do concerto era sem dúvida ela que brilhava. Os seus solos eram de uma beleza inexcedível. Alguns novos foram tocados, os quais o nome obviamente me escapa, mas os quais não fogem muito ao que nos habituou nos seus mais recentes trabalhos.
Aliás, algo que agradavelmente me surpreendeu foi a quantidade novos temas tocados. Grandes expectativas para um novo álbum que se avizinha. Esperemos.
Mas enquanto ia pensando nestas e noutras coisas, o som finalmente melhorou. A partir do dítptico “I Can Seen Now”, “American Girl”, estava de facto irrepreensível. E a constatação de que este era um dos melhores concertos que tive o prazer de assistir, era agora ponto assente.
O alinhamento seguia agora uma estrutura similar ao fabuloso “Toward the Within”. Cada música era uma dádiva e nos breves momentos em que me lembrei que haviam outras pessoas para além de mim e da banda, era visível a plena satisfação de todos. Nos sons iniciais de cada tema era audível o coro de suspiros que não se evitava quando se reconhecia algo como, “The Wind That Shakes the Barley”, How Fortunate the Man With None”, Lotus Eaters (em versão acelerada, excelente) e o sublime, soberbo, perfeito, “Sanvean". Para mim, sem dúvida, o momento do concerto.
Mas como não referir “Yulunga” a abrir o primeiro encore. Suponho que se não houvessem cadeiras, danças haveriam como o sub-título deste tema prenuncia, “The Spirit Dance”. Como não referir todos os temas, todos os momentos, tudo… tentativa sempre pálida.
Só a última música tocada, um momento jazzy protagonizado por Lisa a cantar algo que penso chamar-se “Hymn for the Fallen” valeria por tanto e tanto. Límpido, cristalino como só a voz dela o pode tornar. Puro.


» Por Escrito

Entrar para um concerto e estar nervoso como quem entra para um exame final de maior importância, diz alguma coisa sobre a expectativa que se foi construindo.
Ter o privilégio de receber o que os Dead Can Dance tinham para nos oferecer é inexplicável. Lisa Gerrard, aquando do anúncio desta tour, bem que referiu que este seria um concerto a não perder, e percebe-se bem porquê.
O que nos esperava era, apenas e só, uma viagem pela vida da mítica banda através de algumas das músicas mais marcantes e apreciadas, acompanhadas de alguns registos novos e surpreendentes. Foi nitidamente uma dádiva, que só posso classificar de «divina», que nos foi esplendorosamente oferecida.
Iniciar o concerto com tamanha referência como é "Nierika" foi apenas o que precisávamos para perceber que nos esperava uma extensa série de músicas conhecidas e arrepiantes. E foi mesmo em êxtase que todo o público seguiu com a atenção máxima (e silêncio, diga-se) temas como "Lotus Eaters" (numa versão acelerada muito bem conseguida), "Saltarello" (que surpresa tão boa), "I can see now", "American girl", "Black sun", "Sanvean", "How fortunate the man with none" (em cheio) ou "Severance", entre outras. Nem mesmo os problemas de voz (como mais tarde vim a saber) de Brendan Perry afectaram aquilo que testemunhámos. Assim que cada tema dava entrada sentia-se uma emoção desmesurada de quem precisa de uma nota só para reconhecer a obra que se segue; arrepios e estados de transe seguiam-se em absoluto silêncio e concentração; culminado tudo com ovações estrondosas de puro reconhecimento e agradecimento.
Na memória fica um concerto de uma vida, em que não posso deixar de destacar os momentos da mais absoluta beleza, com "The Ubiquitous Mr Lovegrove" e "Rakim" – inesquecíveis!
De registar uns “saborosos” temas novos que “abriram o apetite” para um álbum novo. Mal posso esperar.
De referir, ainda e finalmente, o tema final em jeito de lullaby que parece chamar-se ("Hymn for the fallen") que acabou por ser uma boa maneira de nos “mandar para a cama”, pois as cerca de 2 horas concerto estavam no fim.
Foi, como não podia deixar de ser, soberbo... excedendo largamente as (já grandes) expectativas, em que só terá faltado talvez a "Cantara" - que todos esperavam ansiosamente.
Os DCD são os melhores do mundo a fazer o que fazem. E foi a melhor coisa do mundo ter visto isso mesmo ao vivo.


» Por Kid Cavaquinho

Leva-se uma semana a cerrar a boca semi aberta de espanto e a desentorpecer os dedos, extremidades em tensão…
O espectáculo foi muito bom e maravilhou o espírito de quem viu pela primeira vez Dead Can Dance (DCD) numa performance ao vivo. O alinhamento das peças musicais ao longo das 2 horas de sacramentalização, foi bastante equilibrado alternando composições mais rítmicas, percursivas com outras mais ricas na filogia lírica com destaque para as interpretações ‘à capella’ ou umas orquestrações melódicas dos teclados. A soberba qualidade dos músicos era previsível, se bem que se podia esperar mais elementos nas cordas e sopros evitando o recurso das plataformas digitais.
O principal centro das atenções surgiu num figurino majestoso victoriano de cor solar transparecendo em toda a sua actuação uma atmosfera de mistério pois, na sua imobilidade ao púlpito, era como um anjo-estátua batesse as asas sem que o público desse conta disso. A fiabilidade, a volumetria e a excelsa capacidade e alcance vocal de Lisa Gerard, confirma-a como a mais enebriante diva da música contemporânea. Não foi por acaso que uma das mais hilariantes tiradas da assitência tenha sido um ‘bamos Lisa, bamos’ onde a senhora soube corresponder. Brendan Perry esteve igualmente em boa forma exceptuando nas duas iniciais intervenções, em que se desenquadrou na voz com Lisa. O autor das letras dos DCD soube em crescendo impôr o seu carisma e liderar a energia em palco, o que contrastava por vezes com a sobriedade de quem assitia.
Uma das surpresas mais agradáveis foi a revisitação do tema renascentista Saltarello, ao qual o público reagiu muito bem. A outra supresa foi uma mão cheia de novos temas que concerteza se encorporarão no novo disco a ser lançado depois da tour de 2005. É de realçar, no meu entender, a primeira dos inéditos que conseguiu aumentar para o dobro as minhas pulsações e também para o encore final preconizado por Lisa Gerard: um blues à sua maneira a fazer valer da versatalidade da voz da cantora. Honras também para a lembrança de uma versão alongada de ‘How fortune the man with none’ com os efeitos dos sinos a serem o ponto fraco de uma grande canção.
Este concerto foi tão especial, que eu não tenho dúvidas que em plena semana da Paixão, Emmanuel Jesús Cristo nao terá por ventura ficado aborrecido por ter escolhido uma data com 2000 e tal anos de avanço para arrecadar com os pecados da Humanidade.
Afinal, pecado é perder o privilégio de assistr a um acto divino como foi o caso do Concerto dos DCD e diga-se de passagem, o Auditori de Barcelona é uma sala estupenda, muito mais confortável e com melhores condições acústicas que o monte do calvário. Mas cada um alcança Deus ou a iluminação como pode.
Para finalizar, faço minha as palabras de dois autênticos catalães no fim do espectáculo.
- Foi escabroso , brutal!
- Mucho obrigada Dead Can Dance!

terça-feira, março 29, 2005

[DISCO] Antony and the Johnsons "I Am a Bird Now"

Alturas existem em que tudo o que se ouve é igual. Nada agrada, tudo já foi feito e não vale a pena perder tempo com estas parvoíces. E depois surge algo como isto.
E tudo muda. Já tínhamos falado entusiasticamente deste Antony, aquando da sua passagem pelo Lux. A promessa de conhecer o seu trabalho foi agora cumprida e em boa hora.
Comecemos pelo mais despiciendo, mas que logo prenuncia o que há-de vir: a escolha da capa. Uma fotografia de Candy Darling, estrela de Andy Warhol na cama de hospital, sua última morada, dá a indicação que este não é um álbum comum. No concerto atrás referido Antony tinha referido a importância desta figura e a alegria que teve quando foi autorizado a usar esta imagem, prestando assim sentida homenagem a esta figura. A quem tiver algum tempo para “esta” Candy Darling saltem aqui. Vale a pena, nem que seja para contextualizar a obra que se segue.
A música que se segue. Aqui é que tudo se complica. É que isto está para além de definição. Descrever o que se ouve é, para mim, em casos como estes, sem sentido. Li que a voz de Antony, condensa Nina Simone, com cantores de opereta, com soul, com não sei mais o quê. Eu por mim vos digo, nunca ouvi nada como ele. Existe uma fragilidade em cada tom, uma delicadeza que em qualquer outra voz soaria a falso e nele soa a um mundo inteiro num só tom.
Todos os temas são maiores que a vida. Logo a começar “Hope There’s Someone”. O desespero e a esperança implícita nele raramente tiveram algo como isto para o descrever. Só por este tema deveria ser previsto mais um espaço em qualquer Panteão, para quando a vida abandonar Antony. É o mínimo.
E saber que os restantes temas têm tantas vidas para dar. Seria para mim exaustivo descrever o que sinto por eles. E pior, pecaria por defeito. Não tenham dúvidas, é de paixão que vos falo.
Existem participações dignas de registo que, fosse outro o caso, poderiam desviar a atenção para a obra dessas mesmas figuras, tais como Lou Reed, Rufus Wainright, Devendra Banhart ou Boy George. Mas tal não acontece. É que esta é uma obra maior.
Já há algum tempo que não sugiro um acompanhamento para a audição do que vos falo. Mas aqui o caso é de excepção.
Para ouvir sozinho. Não vejo como partilhar um momento destes com alguém por muito que essa pessoa seja especial. Mas não duvido que exista.
Um vinho cheio, que encha a boca, como o disco vos vais encher o ouvido. Que tal um Quinta Vale de Meão? Admito que a minha carteira não o pode suportar, (em casos destes deveria) por isso aqui ficam outras ideias, Reserva Especial Ferreirinha ou Glória. Não nos preocupemos com as colheitas, são pormenores a mais. Um copo largo, meio cheio, cor rubra à luz duma vela distante.
Todos os vinhos são do Douro, vinhos difíceis de conseguir, mas que possuem neles um encanto raro, uma vida rara que só está ao alcance de poucos. Para degustar só, num prazer solitário. Tanto um como o outro. Um com o outro.

Sítio oficial de Antony and the Johnsons

sexta-feira, março 25, 2005

[info] Vive La Fête com 3 datas em Portugal.

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As grandes notícias continuam (e como é boa esta em particular!), desta feita com o regresso dos belgas Vive La Fête (de quem já falamos aqui) a Portugal.

Aqui estão as datas:
» 28 de Abril - Lisboa, no Santiago Alquimista
» 29 de Abril - Porto, no BláBlá
» 30 de Abril - Sesimbra, no Grémio

De referir que o lançamento de um novo álbum (que se suspeita que venha a chamar-se "Grand Prix") está previsto para 9 de Maio de 2005 (com lançamento de um 12", Hot Shot, a 11 de Abril).

Será inesquecível, com toda a certeza! A não perder!

» Site oficial dos Vive La Fête

quinta-feira, março 24, 2005

[Crónica] Três momentos

Como prelúdio do que está para para vir, decidi escrever sobre três momentos que pela sua beleza me tocaram. Que mudam tudo. Se paroxismo se pudesse aplicar ao prazer, era isso que seria. Aqui os deixo:

24/02/2004 - Concerto de Nick Cave e alguns Bad Seeds no CCB. O Mestre a mostrar porque o é e sempre o será. Volta ao palco para um quarto encore e logo se ouvem os primeiros acordes do "Love Letter". Eis o que se Ouviu:

I hold this letter in my hand
A plea, a petition, a kind of prayer
I hope it does as I have planned
Losing her again is more than I can bear
I kiss the cold, white envelope
I press my lips against her name
Two hundred words. We live in hope
The sky hangs heavy with rain

Love Letter Love Letter
Go get her Go get her
Love Letter Love Letter
Go tell her Go tell her

A wicked wind whips up the hill
A handful of hopeful words
I love her and I always will
The sky is ready to burst
Said something I did not mean to say
Said something I did not mean to say
Said something I did not mean to say
It all came out the wrong way

Love Letter Love letter
Go get her Go get her
Love Letter Love letter
Go tell her Go tell her

Rain your kisses down upon me
Rain your kisses down in storms
And for all who`ll come before me
In your slowly fading forms
I`m going out of my mind
Will leave me standing in
The rain with a letter and a prayer
Whispered on the wind

Come back to me
Come back to me
O baby please come back to me

Concerto acabou. Ao levantar-me vi lágrimas ao meu lado.

(Love Letter encontra-se no álbum "No More Shall We Part")


15/10/2004 - Londres. Promessa de um concerto com Siouxsie e alguns Banshees. Em palco uma secção de cordas. A promessa de algo especial. E assim foi. Nunca pensei ouvir isto, "Obsession".

do you hear this breath it's an obsessive breath
can you feel this beat it's an obsessive heart beat
waiting to be joined with its obsession

i close my eyes but i can't sleep
the thin membrane can't veil
the branded picture of you

the signs and signals show - the traffic lights say go
again you baffle me pretending not to see ...me

i broke into your room - i broke down in my room
touched your belongings there - and left a lock of my hair
another sign for you

you screamed into my face get the hell out of my place
another sign for me? can you forgive me?
for not understanding your ways

you know sometimes you take it all too far
then i remember it's a game between you and me
a divine test for us two

it's all in my imagination
yes they even say that our mission ...is only
my obsession

do you hear this breath it's an oppressive breath
suffocating in the poison of your obsession
can you feel this beat it's a possessive beat
your pulse stops in the claws of your obsession.

Não foi um sonho realizado. Era demais para sequer o ser.

("Obsession" encontra-se no albúm a "A Kiss In The Dreamhouse")


22/03/2005 - Barcelona. A reunião dos Dead Can Dance e consequente tour, originaram a deslocação em massa da nossa redacção a esta cidade. Disso falaremos em breve. Mas o momento desse concerto foi quando Lisa Gerard ofereceu "Sanvean" ao público, a mim.
Não há letra para deixar. Só a impossibilidade de descrever o que ouvi.

("Sanvean" encontra-se no DVD ao vivo "Toward The Within".)

sexta-feira, março 18, 2005

Banda [Kaiser Chiefs] e disco [Employment]

Visto daqui, o hype que a imprensa britânica cria para algumas bandas, parece quase irreal. Lembro-me dos Suede serem considerados a melhor banda inglesa quando ainda não tinham nenhum álbum editado.
Ora que se cria à volta de bandas tem uma quase certa relação com tendências de mercado.
Daí que quando alguém enceta um caminho e é bem sucedido, outros virão atrás. Muitas vezes não são meros imitadores, nem sequer oportunistas. Têm apenas as mesmas referências e seguem por isso um caminho similar.
O sucesso dos Franz Ferdinand traz então estes Kaiser Chiefs (KC) e um notório hype atrás. De facto as duas bandas conhecem-se, os segundos foram a banda de suporte dos primeiros, o visual camp repete-se (embora aqui os FF ganhem aos pontos), redobra-se o cockney da coisa entre uns e outros e ouvem-se ao fundo as pints a serem pedidas como se amanhã ninguém fosse trabalhar. E isto apesar de trabalho não faltar a estes KC, que por estas alturas estão a tentar conquistar os EUA. Mas o falatório deste lado do Atlântico, talvez não chegue...
Os KC (o nome provém de uma equipa de futebol sul-africana) são de Leeds e pelo Verão de 2003 tinham a sua formação actual: Ricky Wilson (voz), Andrew “Whitey” White (guitarra), Simon Rix (baixo), Nick “Peanut” Baines (teclas) and Nick Hodgson (bateria e voz).
Assinaram recentemente pela Universal Records, após um processo conturbado com as suas prévias ligações. Lançaram um single “Oh My God” numa pequena editora, seguindo-se o mais conhecido “I Predict A Riot”. Surge agora este “Employment” do qual falaremos nas próximas linhas.

Kaiser Chiefs “Employment”

Que excelente maneira de começar um álbum. Quatro canções, quatro potenciais grandes singles (um já o é).
"Everyday I Love you Less and Less" é brutal! Três minutos de um tipo a cantar coisas, como não preciso do teu amor porque os meus pais curtem de mim, até fotos têem de mim. Não acreditam? Sério! E o melhor é que a coisa resulta!
"I Predict a Riot". O single roda por aí e a coisa aqui é mais séria. O tom já não é de parvoíce e na verdade existe aqui um espacamento policial. Só pode haver um resultado para tal coisa ... isso mesmo um motim! Podia ser punk, não o é, mas funciona na perfeição!
"Modern Way" é o tema que mais vai rodando por terras de sua majestade e percebe-se porquê. Mais dolente, meloso, mas muito bom.
"Na na na naa". Está-se mesmo a ver o refrão, não está? Mas para saltar no autocarro pelas oito da matina é do melhor! Acreditem. Naqueles dias de frio foi do melhor.
Eu disse quatro canções? Bem, talvez sejam mais, mas o que se passa é que a partir daqui aparecem alguns temas que talvez fossem bons lados B. E outros que nem isso. Dá a sensação que entraram em estúdio sem músicas suficientes para um álbum inteiro.
É que quando se chega ao últimos temas, já se pensa que o melhor seria repetir os primeiros quatro...
Três quartos de hora de álbum. Podia ser excelente. É bom. Mas para primeiro trabalho, há que dizer, cria muita esperança num futuro para estes KC.

Sítio oficial dos Kaiser Chiefs

quinta-feira, março 17, 2005

[CRÍTICA A CINCO MÃOS] Boards of Canada “Music has the right to children”



:: Visão de Work Buy
Para quem viveu o final dos anos setenta, o som dos Boards of Canada (BoC) é familiar. O porquê é que demora um pouco mais a descobrir, mas depois com um rasgo de memória empoeirada lá vem a televisão com os documentários do National Filmboard of Canada em primeiro plano, a fazer relembrar um mundo há muito esquecido, com águias a cortar um céu em som mono numa ITT Ideal Color.

Os BoC fazem música belíssima, ambiental, densa, por vezes repetitiva e, não raras vezes de difícil entendimento até que a «luz» aparece e a beleza em bruto aparece à nossa frente. De facto, não há ninguém que goste dos BoC e simplesmente não adore a sua música, por outro lado passa despercebida em tantas outras mentes.

Este «Music Has The Right To Children» (MHTRTC) foi o primeiro álbum dos BoC conferindo-lhes alguma visibilidade, já que até esta altura eram um duo (Michael Sandinson e Marcus Eoin) quase invisível, excepto para uma pequena horda de fans (geralmente amigos e família) que os seguiam desde 1987 (“edição” da primeira cassete, «catalog 3»)

A abertura com «Wildlife analysis» coloca-nos à frente, desarmados, do som BoC: uma variação de um loop denso, saturado e simples, extremamente simples como é hábito deste duo. Ainda, sem acabar entra «An eagle in your mind»; A tal águia dos documentários a voar numa reserva índia algures num Canadá com neve, salmões e ursos está perante nós. Apercebemo-nos o quão visuais conseguem ser as melodias dos BoC e quão infantis nos parecem ser. «The color of the fire» (uma referência a uma experiência com drogas psicadélicas de um amigo do grupo) reforça o sentido infantil da música. O som, nesta altura inicial é baseado -sempre- com o mesmo tratamento e esperamos que esgote a fórmula rapidamente. Estamos errados: «Telephasic workshop», «sixtyten» (extremamente pesada e densa), «Turquoise hexagon sun» (uma levitação), «Kaini industries» (uma fábrica -Kainai Cooperative Enterprises- construida numa reserva índia, Blood Reserve, serviu de inspiração para esta pequena faixa), «Aquarius» entre outras contradizem essa ideia.

Entre sonoridades deveras densas, como as que apresentei antes surgem outras que só têm um defeito: o seu pequeno tamanho que nos faz pôr em «repeat» indefinidamente as mesmas faixas. «Olson» é sublime. É a melhor faixa do disco e uma das melhores dos BoC, bem como das minhas preferidas... É um minuto e meio de beleza, paz, intensidade, amor e um por do Sol algures numa praia.

Outras músicas incontornáveis são «smokes quantity» e «one very important thought». Um final consciente a chamar a um imaginário infantil Norte-Americano como muitos de nós temos e desdenhamos em que uma voz televisiva vai dissertando sobre liberdades individuais e colectivas e sobre uma tomada de consciência.

«MHTRTC» é um albúm quase perfeito. A perfeição não cabe aos Homens, mas estes podem tentar. Os BoC fazem música para uma franja de população que se lembra e tem memórias quase cinematográficas, televisivas e infantis. Mais ainda, levam-nos a escavar um passado de há vinte anos e tudo o que o rodeia: desenhos animados, documentários, séries, pessoas, imagens, sons e tudo mais. Daí o vício da nossa descoberta; Deles e nossa.


:: Visão de Serebelo
A música electrónica (como são redutoras estas catalogações...), por estar em grande medida dependente dos avanços tecnológicos, soa-me muitas vezes datada. Esta datação do som que, sem dúvida, também se pode aplicar a outros tipos de música, é, no entanto, pelo carácter inovador desta, aqui muito mais notória. Daí que esta minha dificuldade aqui assumida me fizesse recear que as audições desta obra se manifestassem anacrónicas e não me deixassem dar a esta obra a sua merecida apreciação.

É que a busca de algo mais na música electrónica (será a alma, o Ghost in the Shell, algo que permita transcender o seu tempo?) é um tema recorrente. E eu admito que quando encaro uma obra destas, sabendo que é de 1996, o faço. É que foi por esta altura que o meu interesse nestas músicas de laptop surgiu. Começou com o Nine Inch Nails, que me levaram a Aphex Twin, e através deste descobri o trabalho editorial da Warp e consequentemente estes BoC. Mas admito que se o segundo me despertou e ainda cativa o interesse, já os terceiros não o fizeram.

Portanto uns quase 10 anos depois e este álbum. Audições menos atentas no gabinete e outras ao pormenor no conforto do lar. E sempre a mesma sensação que receava: a de estar a ouvir algo datado.

Talvez seja a repetição dos loops e a sua consequente previsibilidade (“Rue the Whirl”, “Aquarius”). Talvez aqueles interlúdios que me parecem desnecessários e tornam a obra demasiado longa (“Triangules & Rhombuses”, “Wildlife Analysis”) Talvez o facto das estruturas apresentadas, já terem sido trabalhadas ao longe destes anos, por diversos artistas. Talvez seja a minha assumida dificuldade, mas o facto mantém-se: é um disco que ouvi com relativo prazer das primeiras vezes, menos das últimas, mas o qual penso voltar a ouvir não muito em breve.


:: Visão de Escrito
Antes de mais nada convem referir que o estilo de música não é mesmo um estilo que eu aprecie.

Não quero fazer desta análise um massacre e uma avalanche de críticas negativas, porque se calhar apenas apreciadores desta vertente muscial o poderíam fazer. No entanto será sempre difícil escrever de um forma unicamente objectiva.
Trata-se de um disco, na minha opinião, mole e hipnotizante, no sentido em que parece que entramos num transe, num estado dormente e algo embrutecido, de olhos semi-cerrados e condição amorfa.

Confesso que apenas ouvi o disco, num esforço heróico, umas três vezes. Mas fi-lo com atenção. E o que destaco, e acho isso importante, é nada. Ou seja, o disco é consistente e matém uma cadência e progressão uniformes, no entanto não consegui encontrar nada que se destacasse. Nenhum golpe daqueles que entram no ouvido e que ficam. Daquelas sequências que nos “obriga” a ouvir o disco uma outra vez. Nenhum pormenor que nos faça voltar atrás para ouvir de novo.

Num disco repetitivo, que para muitos apenas fará sentido apenas para gerar um determinado ambiente, a primeira vez que o ouvi esperei ansiosamente pela música seguinte, na esperança de surgir uma faixa mais electrizante, ou com uma personalidade que se aproximasse daquilo que procuro quando oiço música. Esperei quase interminavelmente durante várias faixas, e acabei por descobrir que a espera seria infrutífera. Não estava escrito que este disco iria ter alguma coisa que me interessasse e, infelizmente, antes pelo contrário.

Como não gostei nada, julgo que poderei dizer que esta não será uma boa escolha para quem não esteja dentro deste estilo, e penso que muito dificilmente voltarei a ouvi-lo.


:: Visão de CrazyMaryGold
Boards of Canada! Um interessante nome para um tão grande e antigo projecto/grupo da cena electrónica. Antigo porque os BoC começaram em 1976, (é verdade a cepa dos 70’s é belíssima), quando Michael Sandison e Marcus Eoin ainda andavam no liceu.
Passemos ao som: Inteligente, seja lá isso o que for, luxuriante (mas sem malícia, aliás, maldade) e intrigante são três dos epítetos mais vulgarmente usados para descrever o som dos BoC.

E o seu álbum “MHTRTC” editado em 1998, (esse famigerado ano da Expo no nosso país à beira mar plantado) foi, de facto, um marco de viragem na produção destes senhores. Muito, provavelmente, porque a Skam, a sua editora de então, ter assinado a co-produção do trabalho com um label que naquela altura já era poderosíssimo nestas correntes musicais: a Warp. Importa referir que a partir de certo momento, não sei precisar quando, estes dois labels “uniram-se de facto”…desconheço se a “relação” ainda se mantém.

Destaco três faixas do álbum, usando como critério, perdoem-me, meramente, o meu gosto pessoal: "Wildlife Analysis", "An Eagle in your Mind" e "Aquarius" mas todas as faixas são altamente recomendáveis, acreditem se quiserem… desconfio, inclusivamente, que um dos samples usado numa música de hip-hop português chamada “orange” e que tem vindo a ser muito passada nas rádios nacionais, foi sacado deste trabalho mas posso estar enganada!

A pergunta que se coloca nesta altura é a de se terá sido este álbum um trabalho visionário de alguma forma dentro da chamada IDM e música electrónica? Hum, a minha especialidade, dizem alguns, é a sensibilidade…e a sensibilidade diz-me que sim, sim senhora, o “MHTRTC” foi visionário na medida em que com ele se encontraram, pelo menos nestes 2 labels, a convergência de sonoridades, ambiental, chill e muito etéreas com o experimentalismo electrónico e complexidade composicional a que já nos tinham habituado. O “MHTRTC” é possuído de um som acessível mas, lá está, de cada vez que se ouve este álbum há sempre algo que intriga, algo que ainda nos soa a novidade e, nos tempos que correm, isto é algo raro… a partir dele muitas vozinhas de crianças fizeram a sua aparição em trabalhos de música electrónica pelas características que conferem à música e que são inerentes à sua condição: inocência, apreensão, deslumbre com tudo e com todos, mistério e imaginação, portanto, tudo estados e sensações muito próprias de quem ainda acredita mas está à mercê de alguém mais, hum, digamos adulto, seja lá isso o que for…

Justifico o meu título para este post com o seguinte: Sandison e Eoin sempre privilegiaram a utilização de imagens, fotos e filmes nas suas performances ao vivo e o próprio nome de Boards of Canada reporta-nos segundo eles para uma organização de filmes educacionais, The National Board of Canada, que realizava filmes com narrações e “música de fundo”. Nunca vi o conteúdo de um filme desta organização mas suspeito que seja algo do tipo dos documentários que os paizinhos punham no domingo de manhã para entreter a “criançada” enquanto eles repousavam mais um pouco…a televisão, o som e a imagem ao serviço do “regresso dos mortos de sono, parte II”.

Não me apraz dizer, rigorosamente, mais nada sobre o “MHTRTC” porque daqui para a frente desconheço e entraria em fronteiras alheias… O que é sempre de evitar.


:: Visão de Kid Cavaquinho
Porque quem muito espera pelo o próximo cacilheiro e tempo tem para volatizar ideias e por vezes escrevê-las, pôr-me em exercício de fazer uma crítica aos BoC foi bastante fácil.

Estando numa margem e querendo alcançar a outra, reparando nas ambivalências que um rio, neste caso o Tejo, pode ter com o trabalho sonoro dos BoC, o óbvio é que a musica pode ser a terra de ninguém, onde as experiências estão por se definir e só se alcançam relatando uma travessia.

Serei advogado do diabo por barca Vicentina e venho defender que se deva escutar pelo menos uma vez estes senhores músicos. Ora, em pleno Auto-mar que não poderá ser mais óbvio que seja o da Palha, houve quem das fronteiras fizesse delas pátrias e gostasse que as ondas de manso se agigantem, da sonolência mais narcótica à polerização desenfreática das ondas sonoras e desse em doido nas ondinas do Tejo. Pois enquanto esperava a blanco-laranjada barca em espera de prioridade, um longo petroleiro, e talvez dos maiores que possa existir em mare nostrum, se perfilou autoritário durante todo o cd. A proa é a vanguarda, lugar comum das obtusas exclamações. O monocasco é um infintésimo dicromático. Repete-se em sequência quase sufocante, nunca mais o fim, é a substância.

Por fim da abstracção total dos pensamentos, o diabo ja vai bufando de impaciência e o advogado vai com amnésia parcial, e a ré aparece e o posfácio perfila-se.

Já se vê o cais de atracagem, mas também já ninguém se lembra se é pecado ou benção ouvir os BoC. Ai o enfenzado diabo com os olhos arrebitados, ay! mas muito determinado proclama.

O rácio de ouvir este album é positivo, não se fala mais nisso, vamos todos embora.
E um último relance para o navio longo, que se orienta a à sua epopeya pelos os meandros das fronteiras sonoras. Um barco apátrida, com a bandeira do plátano branco. Boards of Canada, será sempre a espuma ou o calmante a estibordo e a bombordo que os bigodes de Salvador Dalí, ou melhor o Diabo enfezado, nunca tiveram.

Manuel Rebelo, assino assim para evitar Inquisições morais desnecessárias pá.

[Boards of Canada "Music As The Right To Children", WARP Records 0000552WAR, 1998]

+info
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» Site dos Boc na WARP

terça-feira, março 15, 2005

[disco/info] Diary of Dreams - "Nigredo": escuridão sufocante.

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Os alemães Diary of Dreams (que se pode considerar um projecto de Adrian Hates – conhecido como baixista dos Garden of Delight – que surgiu em 1994) presentearam-nos, no ano passado, com mais um álbum obscuro. “Nigredo” é um disco profundo e impressionante, que surge bem integrado naquilo que já nos vem habituando, provocando um assinalável entusiasmo entre os fãs e críticos. E percebe-se porquê...

Image hosted by Photobucket.comBaseado na mitologia antiga, este álbum constrói aos poucos um mundo e um conceito dele próprio, obrigando-nos a mergulhar numa mistura confusa e sombria. Mais afastado (mas não muito) da tendência muito electrónica do anterior “Panik Manifesto” e “Freak Perfume”, os Diary of Dreams voltaram com a faceta mais negra e angustiante num ambiente paranóico, frio e carregado de uma tristeza melancólica quase arrasante, embora atraente, como está tão bem patente na soberba faixa “Portrait Of A Cynic”. Estes já eram sentimentos marcantes que transpareciam nos meus favoritos “Bird Without Wings” e “One of 18 Angels”, sendo que neste último “Nigredo” surgem ainda temas de batida electrónica direccionadas para a pista de dança, como “Psycho-Logic”.
Trata-se de um disco muito compacto, complexo e denso, como é habitual, tornando-se algo pesado na sua cadência rígida, escura e obcecada. Por esta razão pode tornar-se um registo algo cansativo, embora viciante, que acaba por ser um reflexo dos trabalhos anteriores.

De referir, ainda, a nota máxima (como não seria de estranhar) para o trabalho a nível gráfico.

Vale bem a pena conhecer este e outros discos de Diary of Dreams, que cada vez se assumem mais como uma das “cabeças” do darkwave electrónico.

Sendo um álbum tão dramático, maior fica a expectativa para os ir ver ao vivo em Leiria (no Alibi Club) a 9 de Abril deste ano.


» Site oficial dos Diary of Dreams (alguns mp3 incluídos)
» 30 segundos de cada tema de “Nigredo”
» Organização do concerto em Portugal (Fade in Festival)

sexta-feira, março 11, 2005

[DISCO] Thievery Corporation "Cosmic Game"



O duo Thievery Corporation (Rob Garza e Eric Hilton) consegue com este “Cosmic Game” superar a fasquia imposta pelos três albúns anteriores. Começamos por observar as múltiplas colaborações que este disco contém e que conta com a ajuda dos Flaming Lips, de Perry Farrell e David Byrne entre outros. De facto, a maioria dos temas surge em colaboração com terceiros.

A base multivariada de hip-hop, bossa nova, dub cruzam-se com inúmeras influências étnicas indianas e brasileiras. Isto revela-nos um disco dos TC mais “cheio”, isto é, com os temas a desfilarem com o “esqueleto” menos à mostra, apresentando maior consistência no formato canção em vez de serem apenas alguns loops agrupados com gosto durante 3 minutos e meio. Os TC chegam à maturidade neste “Cosmic Game”.

O tema debutante, “Marching The Hate Machines Into The Sun”, é ilustrativo do título do disco, mas não do albúm em si. Planante e com uma voz adjectivada com um delay, bem como uma linha de sintetizador macia que confere “ambientalidade” a um tema downtempo. Começam bem os TC, mas estranha-se a direcção mais electrónica que, inesperada, causa-nos espanto. Engano efémero, visto que “Warning Shots” soa-nos aos TC que editavam no “Covert Operations”: dub e composição rítmica descomplexada baseada no hip-hop. “Revolution Solution”, terceira faixa corrobora a direcção tomada visto que as sonoridades orientais marcam presença neste tema. Nesta classificação podemos, ainda colocar, “The Supreme Illusion” (tema 13) que, mais martelado, não dispensa vocalizações orientais e “Doors Of Perception”, uma faixa ambiental com laivos de world-music. O dub, sempre presente na história e nas composições dos TC mostra-se em todo o seu esplendor na parceria com Notch em “Amerimacka” em que a musicalidade e a harmonia é realmente bela. Sem dúvida, um ponto alto em “Cosmic Game”. Segue-se então, uma visita à embaixada brasileira com influências várias (desde a poesia ao berimbau e às percussões variadas). A colaboração com David Byrne tem como resultado uma das músicas mais melódicas dos TC: Em “Holographic Universe” todos os ingredientes que existem no sintetizador de qualquer um se misturam, mas apenas os TC sabem juntar as proporções correctas que levam a que o “chill out” (um conceito que ajudaram a inventar) marque a sua presença neste disco.

Os Thievery Corporation não inovaram neste “Cosmic Game” (e duvido que o façam no futuro). As sonoridades são revisitadas de outros discos e a filosofia não se altera muito, mas, no entanto, onde é que o downtempo assume uma qualidade tão grande?. A colaboração com outros artistas como David Byrne, Notch e The Flaming Lips deu resultados frutuosos e tornam “Cosmic Game” um disco mais rico, mais adjectivado e com variações que “Richest Man In Babylon” não possuia. Em conclusão, podemos comparar este disco a um programa do Júlio Machado Vaz: sabemos que é bom. Sabemos que pode ser um pouco melhor, mas sabemos que não vai sair daquele assunto.

[Thievery Corporation "Cosmic Game", Esl Music, 2005]

+info
Site oficial com informações sobres os disco

terça-feira, março 08, 2005

Vaga de neve assola electrónica

Até ao momento apenas possuo o álbum “Of Snowdonia” de um projecto musical chamado Daedelus. Digo “projecto” porque desconheço o nome verdadeiro de quem está por detrás de tão boa música. Fiquei chocadíssima com a minha ignorância nos meandros do experimentalismo e vanguarda electrónicos quando, ops, tropecei por acaso na discografia deste senhor. Dizem as vox populi que é um excêntrico e para completar o ramalhete faz-se sempre acompanhar de pares igualmente dotados para a excentricidade e bizarria: MF Doom, Sci e Mike Ladd e Laura Darling. Quem são? Boa pergunta. Mas o melhor de tudo está para vir… Se ao ter usado as palavras experimentalismo e vanguarda ficaram de pé atrás com Daedelus, desenganem-se porque pelo que me foi dado a ouvir, até hoje, deste senhor esta vanguarda é de “massas” seja lá isso o que for.Porquê?! Pela forte componente melódica e harmónica dos seus trabalhos, ora tudo opções de construção musical que chegam mais perto... Para além de uma “imagética sonora” muitíssimo cinematográfica.Há quem diga que "as pessoas ouvem o que vêem (?!).
“Of Snowdonia” soa a uma vigorosa miscelânea de canções de filmes dos anos trinta ou, sei lá, dos anos 40 com vozes muito seventy, a Pantera Cor-de-Rosa à mistura com guitarradas e cut-up strategy diz-vos algo?! Talvez a palavra que se imponha seja easy-listening, com belíssimas “pianadas” mas sem o que de menos bom esse termo possa conter. Hum, pois! Mas também tem hip-hop, pois tem, e quase me atrevo a perguntar o que é que agora não tem? Tem as famigeradas técnicas do cut and re-cut, digo eu, tem sons amplamente jazzísticos de baixos e contrabaixos, cacofonia q.b. , doces vozes femininas e masculinas, até canto gregoriano já para não falar de harpycords do além…às vezes soa a “franciú” mas é "americano", sei lá! Se eu lê-se a “Wire” mas não chega à terrinha onde vivo e eu sou “pennyless” demais para mandar vir pela net, desculpem o apontamento pessoal, mas aceitam-se sempre donativos… MAS, dizem os entendidos que «não se trata de fusão ou colagem e sim trash music, embora, confesso, digam isto a propósito de “Esquisite Corpse”, o seu mais recente longa-duração. E eu, infelizmente, ainda não tive oportunidade de o ouvir. Escusado será dizer que espero, ansiosamente, por esse momento que se antevê de profunda delícia auditiva a avaliar pela qualidade de “Of Snowdonia”. Contudo, a descrição de trash music encaixa, perfeitamente, neste registo de 2004. A mim soa-me a tudo…e por mais estranho e coincidente que pareça, Daedelus, de facto, aparece numa breve participação num LP chamado “Sounds Like Everything” para outro projecto, Ammoncontact, da editora Plug Research. De referir também que, “Of Snowdonia”, soou a partir da Plug Research mas este último “Exquisite Corpse” ouve-se pela “mão” da Ninja Tune que o lançou no passado dia 5 de Março na Europa e Ásia e pela “mão” da Mush na América. Como é bom de ver, tudo labels de referência para quem andas nestas “andanças e contradanças” da música electrónica.
Estou radiante e alegremente surpresa com a “frescura” desta música e garanto-vos que as próximas semanas serão passadas a ouvi-la e, já agora, no encalço de um “cadáver esquisito”…Eheheh, soou a contraditório não foi? Mas, bom, se isto é Surrealismo sonoro, Dada ou gagá não sei, apenas sei que o que ouço com Daedelus me trasporta para mundos imaginários muito, mesmo muito, engraçados e auditivamente muito saudáveis e recomendáveis.
Resta-me deixar aqui o apontamento do site oficial do “mister excentricidade” que vai ser o próximo produtor da The Milk Factory (UK):
www.daedelusdarling.com e a foto da praxe.
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[Banda "Interpol"]

Os Interpol formaram-se em Nova Iorque, numa sucessão de encontros e desencontros, sendo que em 2001 teriam a formação que ainda hoje apresentam, a saber: Paul Banks (voz e guitarra), Daniel Kessler (guitarra e voz de acompanhamento), Carlos D. (baixo, teclas e voz de acompanhamento) e Samuel Fogarino (bateria).
Começando por rodar o circuito de salas de Nova Iorque, deram um salto para este lado do Atlântico, onde o falecido (paz à sua alma) Jonh Peel gravou em 2001, mais uma das suas famosas sessões com a banda em questão. A partir daí, as portas das editoras abriram-se, em particular as da Matador Records.
Antes de passar a coisas mais sérias, só uma nota. O seu nome vem de uma piada qualquer acerca do nome Paul e a semelhante fonia com Interpol. Só isso.
De volta. O seu som passa, sem dúvida, pelo rock do fim dos 70, princípio dos 80, em particular por Joy Division, The Cure (juntar-se-iam a estes na Curiosa Tour em 2004) e Echo & the Bunnymen. Tensão, tendência urbano-depressiva, negrume, o pacote todo. Mas o peso destas referências e as suas características comuns não desvirtuam o trabalho desta banda. É que existe aqui qualquer coisa mais. Existe sem dúvida uma reciclagem de sons já conhecidos, mas a maneira como eles são apresentados e a sinceridade que se sente ao ouvir as suas músicas são notáveis. Não sei o que o futuro lhes reserva, mas o que fizeram na sua curta carreira, augura algo de muito bom.

Até hoje foram lançados dois discos, existindo alguns EP´s e compilações que escusaremos de comentar.

“Turn on the bright lights”
O disco de estreia. Depressão e escuridão em forma de guitarras esgalhadas. Quando surgiu, alguns preveram que o rock de gabardine (conferir com as influências atrás apontadas), estaria de regresso. Não era para acontecer, mas fica este brilhante álbum de estreia. A primeira vez que ouvi o primeiro single “PDA”, fiquei sem palavras. Como single de apresentação, é dos melhores que já se ouviram. E depois tudo o resto. Pelo que à frente direi, não destacarei quaisquer músicas… tirando o soberbo, “NYC”. Os REM, quando tocaram em Nova Iorque, fizeram uma versão deste tema. Quando lá for, é o que ouvirei.
Aconselhável para dias de chuva e descrença na natureza humana.

“Antics”
Depois de dois anos de digressões, a banda reuniu-se no princípio de 2004 para gravar este disco. O que se ouve no disco é uma nova direcção, completamente distinta do que se ouviu anteriormente. As músicas estão mais leves e a sua audição não leva ao desespero anterior. Mas o que estas permitem é que as contínuas audições que não se evitam, levem a novas descobertas e ao tomar como nosso o que se ouve. Em discos como este é sempre despiciendo apontar músicas. Desde a abertura com um som de órgão em “Next Exit”, até ao tranquilo final com a “Time to be Small”, tudo é do melhor que se ouviu no ano passado. E do que se continua a ouvir.
Aconselhável para dias frios, mas com muito sol. Como estes.


Sítio oficial

Excelente entrevista na Rolling Stone.

quarta-feira, março 02, 2005

[DISCO] Queens of the Stone Age "Lullabies to Paralyse"

Os Queens of the Stone Age (QOTSA) chegam a este "Lullabies to Paralyse" (que excelente título) na sequência de discos que marcaram e marcam ainda as audições de muito boa gente. O último "Songs for the Deaf" é uma referência incontornável no panorama rock mais recente. O seu som abrasivo e potente faria certamente parte da playlist diária da redacção do OTITES, caso houvesse uma.
Mas o ambiente de expectativa que assim estaria (e está) associado ao lançamento deste novo trabalho, surge assombrado por alguns problemas que a banda teve nos últimos tempos. Foi a saída definitiva de Nick Oliveri, que afinal veio mostrar que definitiva só mesmo a morte, foi a promessa que Mark Lanegan não mais voltaria a cantar com a banda, promessa essa já desfeita este ano em Milão e outras notícias associadas aos últimos tempos da banda. A juntar a isto e numa toada mais recente há a lamentar ainda a bronquite de Josh Homme que obrigou os QOTSA a cancelarem os ansiados shows europeus deste final de Fevereiro.
Mas como o imaginário rock, ou seja sexo, drogas e muitos problemas à mistura sempre esteve associado à banda, há que ignorar estes factos menos positivos. Foi por isso com grande entusiasmo que me chegou às mãos este novo álbum com data de edição para meados de Março.
Quinze novos temas a abrir com uma balada e a voz inconfundível de Lanegan a cantar "This Lullaby". Que excelente maneira de iniciar um disco. Catorze músicas depois… e a desilusão estava instalada.
Os temas sucedem-se sem deixarem marcas. Logo a seguir à balada referida, uma "Medication" a lembrar, por vezes, o último álbum. Pelo meio o single "Little Sister", alguns outros temas fortes, mas a maior parte enrola-se em sons mais melosos e até enfadonhos. Quando a faixa escondida chega, com alguns sons meio fúnebres, espera-se mesmo pelo pior.
Mas decerto que é apenas um estranho acaso. Decerto o que se ouviu foi apenas o resultado de um engano: alguém retirou a habitual "Medication" das refeições diárias dos QOTSA e substituiu-a por Xanax. Em pó, para ninguém notar. Ou talvez os problemas referidos e os mais que a existirem "No One Knows", tenham deixado estas baladas menos paralisantes...
"Lullabies to Paralyse" é assim um disco que desilude. As expectativas eram altas, isso é certo, mas com uma obra como os QOTSA já têm, há que esperar pelo melhor. E claramente isto não é o melhor deles.

Sítio oficial dos Queens.

terça-feira, março 01, 2005

[REPORTAGEM: netlabel] MiMi

Um dos fenómenos mais interessantes no mundo da música acoplado à internet foi a expansão exponencial do formato MP3. Se para uns foi a galinha dos ovos de ouro, para outros foi um ataque directo a um bastião onde se movimentam milhões de euros diariamente. Após este fenómeno surgiu um outro em resposta à pressão das tradicionais editoras no campo editorial e na escolha artística, à burocracia própria do mundo dos negócios e à liberdade criativa e monetária: falamos das netlabels. Editoras (nem sempre pequenas) que surgem da ideia de poucas pessoas (sendo as mesmas que as mantêm devido à não necessidade de mais pessoal) e que concentram um conjunto de artistas que acabam por “editar”. As aspas surgem apenas porque a maioria das netlabels acaba por não lançar os discos da forma tradicional para uma loja, no entanto, os MP3 dos artistas estão prontos a serem adquiridos a custo zero (via download), muitas vezes com a respectiva artwork do disco.

Se no mundo o fenómeno é mais ou menos generalizado, em Portugal só encontrámos 4 netlabels. Começámos a investigação na MiMi que conta já com 33 edições (uma delas uma compilação criticada aqui) de (somente) artistas portugueses e japoneses. Fernando Ferreira, à frente a Mimi possibilitou-nos esta entrevista:

OTITES: O que é e como surge a MiMi? Porquê a opção “netlabel” em oposição a uma editora normal?
Fernando Ferreira (FF): A MiMi Records é um dos projectos criados pelo ClubOtaku, uma "organização" estritamente virtual que se dedica à divulgação da cultura japonesa.
A ideia surgiu há já bastante tempo. Nasceu para "satisfazer" dois gostos pessoais - o Japão e a música. Tive a ideia num dia em que assistia a um concerto de música tradicional japonesa - aquando da comemoração dos 460 anos de amizade entre Portugal e o Japão. No final do concerto pensei que poderia contribuir para o estreitamento dos laços entre Portugal e o Japão criando, para tal, um projecto de música "moderna".
Escolhi uma netlabel sobretudo devido a aspectos logísiticos. É muito mais simples e mais imediato. Além disso, acho que o futuro das edições musicais vai passar, em grande parte, pela internet - considero que vai ser a evolução natural do suporte musical (depois das cassetes, os cds e agora a internet...).

OTITES: A Mimi, por força da singularidade que apresenta, tem particularidades próprias? Existe uma filosofia sonora “MiMi”?
FF: A única particularidade/singularidade que a MiMi Records tem, é o facto de editar apenas projectos nacionais e japoneses. Seguimos uma "filosofia" de novas tendências de música electrónica (electrónica, i.d.m., glitch, noise, digital hardcore, experimentalismo).

OTITES:Sentiste alguma dificuldade inerente à construção da MiMi, principalmente no que toca a angariar artistas japoneses?
FF: A dificuldade foi só mesmo o primeiro contacto. Depois disso, tudo funcionou como uma bola de neve. A internet e o algum conhecimento da língua japonesa também ajudaram para angariar artistas. Quando os contacto (japoneses) para possíveis edições, eles ficam muito agradecidos - e alguns até espantados.
Devem achar improvável que alguém no outro lado do mundo goste das coisas que eles fazem.
A certa altura a divulgação da netlabel quase se fez "boca-a-boca". Alguns dos artistas nipónicos que editaram pela MiMi, deram o contacto ou apresentaram-me outros artistas e projectos que possivelmente gostariam de editar. O facto de a netlabel se chamar MiMi também nos ajudou (MiMi significa ouvido na língua dos samurais).

OTITES: Em que características se baseiam para fazer a triagem de artistas que propõem projectos à MiMi?
FF: Como referi anteriormente, a MiMi Records navega nos territórios da música electrónica. Acaba por ser o primeiro ponto de "triagem". Não há mais nenhum entrave à edição. Se os trabalhos me agradam, edito-os.

OTITES:Como é a postura da MiMi face a uma hipotética edição de um artista vosso numa label que edite em CD?
FF: Seria uma enorme satisfação pessoal se que o que mostramos/damos a conhecer às pessoas fosse aceite como sendo de qualidade. Faço votos para que algum dos projectos MiMi seja editado em CD.

OTITES: Conta-me um pouco do teu interesse na música electrónica e experimental. Quando começou, quais as tuas influências nesse campo?
FF: Sempre tive curiosidade pelas sonoridades "diferentes". A electrónica e a música experimental sempre estiveram na minha lista de preferências musicais, por conseguirem satisfazer essa minha vontade de conhecer coisas diferentes. Os anos 80 e o meu primeiro computador (zx spectrum) foram o ponto de partida.

OTITES: Como vês a “cena” da música i.d.m., música electrónica e experimental em Portugal? Qual o papel das netlabels nesse cenário?
FF: Já existe uma "cena" bastante significativa - o exemplo disso são as várias editoras que tem aparecido nestes últimos tempos.
O aparecimento das Net Labels em Portugal também são a resposta para esse crescimento. A Enough Records, Test Tube, e a própria MiMi estão a fazer um excelente trabalho, não só na divulgação de projectos nacionais como de estrangeiros. Acho mesmo que as Net Labels vão ser mesmo o futuro da divulgação musical.
Apesar de já se começar a assistir um maior interesse pelas Net Labels devido a alguma divulgação que tem sido feita quer pelos jornais, netzines ou mesmo blogs como é o vosso caso, não tenho a menor dúvida que rapidamente irão estoirar em Portugal novas netlabels, de estilos musicais completamente dispares.

OTITES: Em Portugal poucos são os nomes conhecidos de artistas japoneses que fazem i.d.m. e música electrónica como Cornelius ou Merzbow.
Pensas que a MiMi pode contribuir para esse conhecimento e intercâmbio, ou está fora desse “campeonato”?
FF: Neste momento ainda estamos numa "divisão" bastante diferente - o nosso campeonato é outro. Temos como objectivo subir aos poucos para chegarmos ao tal "campeonato" de que falas. Para já damos a conhecer o que se faz por lá e por cá. Quem sabe se não conseguimos "vender" alguns para o tal campeonato?

OTITES: Como vês o fenómeno MP3? Partilha de ficheiros para usufruto pessoal ou um ataque aos direitos de autor?
FF: Vejo com bons olhos. Apesar de já estar completamente dominado pelo .mp3, não deixo de comprar edições originais. Gosto de ter a edição "física" nas mãos. Muitas das vezes uso os .mp3 para conhecer novos projectos e depois se gostar compro o original. Vejo o .mp3 como um suporte para os artistas mostrarem as suas criações. Além disso, existem muitos autores que distribuem a sua música gratuitamente como é o caso das Net Labels. A música é para todos :)

OTITES: Uma pergunta ingrata: Qual o disco que mais te agradou no catálogo (já extenso) da Mimi? Não só em termos musicais, como estéticos.
FF: Não queria escolher um, mas sim todos. Todos me agradaram, por isso é que estão na MiMi.

OTITES: Que discos tens no teu leitor e que tens ouvido actualmente?
FF: Nunca ando sem música, por isso ouço muita coisa. Os novos projectos que tem chegado à MiMi para futuras edições e os trabalhos das outras netlabels nacionais e não só, são algumas das coisas que tenho ouvido nestes últimos tempos. Mas também ouço outras coisas por razões que se prendem com trabalho - isto porque faço rádio na RUC (Rádio Universidade de Coimbra).

OTITES: Que futuro auguras à MiMi e quais os projectos imediatos?
FF: Que continue a "dar música" às pessoas. Tenho agendado (como projecto a cumprir a médio prazo) a realização de uma compilação com artistas nacionais - em formato cdr, à semelhança da compilação ( [mi020] - various artists - give the finger to sploiler's disk vol 1 ) editada há uns tempos atrás.
Também não está fora de questão uma edição pessoal na netlabel, vamos ver...

OTITES: Como é que um artista pode mostrar os seus trabalhos à MiMi?
FF: Os trabalhos são normalmente recebidos via correio normal (podem ver a morada no site), em formato audio ou então em .mp3.
Já houve casos de artistas que enviaram um mail (mimirecords@clubotaku.org) com os links dos temas e depois fizémos o respectivo donwload.

OTITES: Resta-me agradecer o teu tempo disponibilizado e pedir algumas palavras que queiras dirigir aos nossos leitores.
FF: Que visitem e ouçam o que a MiMi tem para oferecer. E mais importante do que isso, que nos enviem feedback! Só assim poderemos crescer mais e com melhor qualidade. Só me resta agradecer com um grande arigatou gozaimashita.

Mais informações no site da MiMi.

[DISCO] VA - “Give the finger to spoiler's disk”



Optámos por criticar este disco da Mimi (em jeito de conclusão da entrevista realizada) por duas razões: Sendo uma compilação não poderia cair sobre nós, qualquer sombra de preferência nos artistas que já editaram por aquela netlabel, além disso, todos os artistas são japoneses o que nos alimentava a curiosidade.

Em cerca de 50 minutos podemos ouvir música electrónica, i.d.m., ambient e suas fusões nos mais variados graus sempre com a sensação de experimentalismo que agrada não sendo necessariamente frio, inorgânico e distante. Bem pelo contrário, certas faixas podem acariciar um ouvido mais frio com as temperaturas gélidas que se deixaram ficar por Portugal.

A filosofia "copy-paste" de múltiplos e pequenos fragmentos sonoros acontece em boa aparte dos temas apresentados. Um dos que alcança sucesso na prática é “Cruel, cruel, cruel defense” dos umbruella_process, segunda faixa dos disco que nos propõe um tema híbrido de electrónica e noise. Já Stingray e “Control the power” apresenta-nos uma faixa de trance com frases em japonês que nos podia (enquanto europeus) transportar para um combate num filme anime entre dois heróis. Se em @mu:le com “I've counter culture” os estilhaços rítmicos de drum n’ bass se misturam com desconstruções de melodias e os seus aproveitamentos (com um bom diálogo entre as duas partes), já Bathroom Orquestra mostra-nos uma balada cantanda em japonês com viola acústica e bateria a acompanhar. O projecto countzERO encarna a filosofia que enunciei no ínicio (“copy-past” e ainda “cut”) em que os sons são cortados, retrocidos, esticados, alterados, filtrados e tudo mais numa escola sonora que poderiamos apelidar como “hard-core Hextatic”. Os BrandCafe Club em “TTIC” não esquecem sonoridades japonesas quando as misturam com um breakbeat condimentado com uma voz feminina formando um resultado muito interessante e sem dúvida, um dos mais agradáveis do disco. Na penúltima faixa espera-nos o que me parece ser um hip-hop japonês, bastante, retro com um contra-baixo a fluir que enche a música. As vozes, estranhas ao ouvido, distorcem-se ao longo dos 3 minutos e 22 segundos de música, mas por originalidade ou estranheza o resultado é positivo. Por último fica guardada uma pérola. Chama-se “Maradona” e mistura sintetizadores etéreos, uma voz feminina insegura q.b. muito melódica e uma batida completamente partida por vezes quase a impôr-se no resto da música, mas raramente se excedendo, isto porque não esperamos (logo desde o ínicio da audição de “Maradona”) o tradicional “quatro por quatro”. Desconcertantemente bela a composição de irish com Tsuruchin a acabar esta compilação.

“Give the finger to spoiler's disk” é um disco heterogéneo com muitos bons momentos musicais que, abrançando uma realidade um pouco distante que é a música moderna japonesa, nos sensibiliza para algumas visões completamente disitintas dessa mesma realidade. A fazer o download com urgência aqui.

[VA "Give the finger to spoiler's disk”, Mi020]

 

 

 

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