terça-feira, novembro 30, 2004

[banda] Vive La Fête: música para a cama


Um caso sério de sensualidade, glamour e pop electrónico são os belgas Vive La Fête, que surgiram em 1998 como um projecto de Danny Mommens e Els Pynoo.
Danny, reconhecido baixista dos dEUS, e Els e gravaram no estúdio pessoal do primeiro um conjunto de músicas que eles apelidam de "música para a cama"(!). Felizmente, decidiram editar essas músicas sob a forma do seu primeiro álbum “Paris”, que resultou num registo obviamente íntimo e erótico. Esta poderá ser uma excelente forma de caracterizar a música dos Vive La Fête, tendo como base um pop electrónico, típico dos anos 80, melancólico e pessoal, acompanhado de vozes (em francês) sussurradas, como de quem arfa de prazer.

Mesmo sem serem levados muito a sério, o certo é que abriram espaço por trazerem algo completamente novo. Essa, para além da cama em si, pode ter sido a motivação suficiente para o lançamento de "Attaque Surprise" e de "République Populaire" (2000 e 2001, respectivamente). Dois discos impressionantes e, mais uma vez, carregados de erotismo balanceado entre a melancolia ora ondulante ora ritmada, e já com um pouco de insanidade compulsiva. Possuem vários dos considerados clássicos da banda, onde se mantém a sonoridade electrónica pop quase inocente mas inspirante. Altamente sensuais e provocantes, os Vive La Fête constróem, assim, definitivamente o rótulo que não deixa ninguém indiferente. Neste período ganham algum reconhecimento e têm a grande oportunidade, de que tanto se orgulham, de tocar ao vivo na apresentação de uma colecção da Channel. Danny e Els (chamada de "muito mau exemplo para as meninas") tinham a banda da moda e erotismo.

Em 2003, produzem um fantástico disco de (como eles chamam) kitch pop que, não abdicando das características demarcadas da sua carreira, acaba por provar que a banda não é uma brincadeira e que são capazes de um disco bem mais amadurecido. "Nuit Blanche" é muito mais movimentado, trazendo sempre a essência dos 80´s, com uma loucura histérica (mas apelativa) tal como uma sensualidade vincadíssima, numa mistura que muitas vezes se torna embaraçosa para o ouvinte, mas possuindo um magnetismo que o ultrapassa (como são os casos de "Noir Désir" e "Mon Dieu").

Numa genuinidade notável, os Vive La Fête deixam em concerto todo este tipo de sentimentos e tornam-se, para mim, numa das bandas mais marcantes da actualidade. Os discos deles passam consecutivamente pelo meu leitor e começam a "saber a pouco". No entanto, as boas notícias são que está prometido para breve um DVD e um álbum novo, sendo que mesmo durante um período de vários meses em que têm estado em tour, sempre têm tido tempo para trabalhar no estúdio (ou na cama... quem sabe). Prova disso são os excelentes temas "Schwarzkopf" e "Dejá Vu", que já foram apresentados ao vivo e, no caso do primeiro, num CDmaxi recente.

O "assalto" final ao sucesso pode estar para muito breve.


» Site oficial dos Vive La Fête
» Site onde se podem ouvir cerca de 45 seg. de cada música de álbuns e singles

domingo, novembro 28, 2004

[Disco] Sin Dios - Odio al Imperio

Este colectivo formou-se em 1988 e após algumas mudanças de formação estabilizou-se num trio de guitarra, baixo e bateria de Punk-Hardcore Anarquista. Os ideais desta banda são bastante fortes o que leva a que existam algumas regras em todo o seu trabalho:
- Os discos são publicados a preços populares (este álbum custa no máximo 7,2€)
- Os concertos são a preços razoáveis, tanto a entrada como a bebida
- Não tocam para organizações institucionais nem para partidos políticos
- Autoprodução do material e autogestão dos concertos (nada de managers)
- Não pretendem ganhar dinheiro com o grupo e tocam sempre por quantidades razoáveis de dinheiro
Através das suas músicas apontam o dedo à sociedade onde vivemos tentando indicar ideias e soluções de mudança. Todas as músicas discutem problemas actuais e neste “Odio al imperio” abordam temas como a situação da Palestina, violência doméstica, o narcotráfico, etc. São 15 músicas potentes acompanhadas por um livro de 100 páginas com as letras das músicas e no qual transmitem o seu ponto de vista sobre cada um dos temas abordados.

» Site oficial dos Sin Dios

segunda-feira, novembro 22, 2004

[concerto] The Gathering - Paradise Garage - 20/11/2004


Este Sábado actuaram, em Lisboa, os holandeses The Gathering, num Paradise Garage completamente cheio e envolto nalguma ansiedade, principalmente por motivos já enunciados num post dedicado a esta banda. No entanto, os possíveis sentimentos de desconfiança e dúvida rapidamente se desvaneceram ao longo de um concerto absolutamente entusiasmante, misturando uma energia contagiante com arrepios de limpidez e ondulações obscuras.
Num concerto que, como esperado, terá agradado desde os fãs mais antigos aos mais recentes, houve espaço para os clássicos mais pesados passando pelo som mais recente – mais trip-rock, experimental e, até, enternecedor (ao que não estará completamente alheia a barriga grávida de alguns meses da vocalista Anneke van Giersbergen). Tudo isto resultou numa viagem empolgante e reconfortante, que saciou a espectativa quase angustiante dos presentes, que durou cerca de 1h40m.
Entre outras, ouviram-se “Nightime Birds”, “Amity”, “Analog Park”, “Broken glass”, “Even the spirits are afraid”, as formidáveis “Travel”, “The big Sleep” e “Black light district”, sem esquecer as clássicas “Eléanor” e “On most surfaces” – estas espantosamente acompanhadas pelo público completamente rendido.
Uma incrível amostra com momentos mesmo muito bonitos proporcionados por aquela que será, na minha opinião, uma das vozes femininas mais espectaculares no mundo musical – e em Anneke parece tão fácil e natural soltar tal beleza sob a forma de som. Com uma entrega total dos músicos, com um especial destaque para a segurança notável do guitarrista René Rutten em palco, muito facilmente os The Gathering conquistaram o público presente, que por sua vez correspondeu sempre à altura. De facto, o sorriso (sempre presente e cativante) de Anneke, aliado à total entrega e ao perceptível prazer dos músicos em palco, sem esquecer a grande qualidade das músicas escolhidas, provocou a total satisfação a todos a que assistiram a este concerto que, também por ter sido a primeira visita da banda a Lisboa, terá sido memorável.
Absolutamente fantástico!

» Site oficial dos The Gathering

quinta-feira, novembro 18, 2004

[DISCO: vintage] Nicole Willis "Soul Makeover"



Enquanto não nos chega "Be It", debruçamo-nos sobre "Soul Makeover". Nunca um álbum teve nome que lhe assentasse tão bem como «Soul Makeover» a este CD debutante de Nicole Willis. Esta cantora iniciou a sua carreira com colaborações com o seu marido e ícone da música electrónica Jimi Tenor, colocando sempre variações bastante quentes e cheias de alma nas melodias, algumas vezes, frias e metálicas que Jimi Tenor desenvolveu em «Intervision». Antes de «Soul Makeover» lançou, ainda, um EP («All The Time», 12"), e colaborou com os Leftfield no seu último trabalho «Rhythm and Stealth» que os expôs nas televisões de música com o primeiro single «Swords» cantado por Nicole.

Neste «Soul Makeover» há um cruzamento entre um house nova-iorquino lento e denso com um R&B sofisticado e jazzístico, o que transmite uma contínua sensação de calor baseada em sentimentos versados pela voz de Nicole: as letras são relativamente simples, mas ao contrário do que se possa pensar de um trabalho ligado à electrónica, não são desprovidas de actividade cerebral. O desenrolar das faixas neste álbum não é pacífico. Existe uma variedade de tempo nas músicas que as tornam completamente antagónicas. («Bliss of Life» e «Siesta» são exemplos). Enquanto «Heed The Sign», «Soul Makeover», «Gonna Get Yours» (Esta numa versão deformada electronicamente) são exemplos de soul muito belo. «Xibeca» e «Bliss od Life» são miscigenações jazzísticas e mid-tempo muito bem conseguidas (ênfase para a «jam» de bateria de Severi Pyysalo em «Bliss of Life»). O house, muito disfarçado, permanece em «Curiosity» (que merece uma mistura: «Candy Apple Mix»).

As três últimas faixas são remisturas, duas delas assinadas por Maurice Fulton e Roberto Rodrigues (esta última de enorme qualidade, mas não chegando à profundidade do house lento, carregado e cheio que Maurice Fulton impõe na mistura de «Heed The Sign»).

Nicole Willis permanece como um diamante escondido: «Soul Makeover» estiliza o Soul, confunde-o que o funk, jazz, house, downtempo e electrónica e fá-lo muito bem.

[Nicole Willis "Soul Makeover", Sähkö/Puu (Puu-21), 2000]

+info:
Site Oficial
Albúm

sexta-feira, novembro 12, 2004

[Crítica a cinco mãos] Low "Trust"

Nota prévia

Iniciamos aqui uma nova rubrica e como tal, serve este intróito para explicar os seus moldes.
Tenho cada colaborador os seus gostos e preferências e sendo este espaço, um de diversidade musical, achou-se interessante partilhar álbuns muito especiais, para um, com os outros.
Assim, surge uma crítica orientadora de quem sugere o álbum e as restantes de quem o ouve, sugestionado. Espera-se assim uma visão global de algo que um de nós sente como único.




Visão de Serebelo

Ouvir este "Trust" é algo que guardo para alturas muito especiais. Dias em que sei que nada tenho para fazer durante a sua audição. Dias em que me posso entregar completamente a algo que, como esta obra, me consome. Sim, consome. Porque este é um daqueles álbuns que desperta a otite que existe, prende-a num nó e deixa-a atravessada na garganta à espera de uma nova audição.
Ouvir esta obra é pois, mergulhar num universo pesado, opressivo, mas e devido a isso mesmo, quando a luz perspassa levemente pela janela entreaberta de um acorde menos sombrio, dá ideia que o mundo se ilumina com um som apenas.
Nada que não volte à penumbra anterior e de um modo bem rápido, mas, como se sabe, a efemeridade das coisas belas é algo a que não se pode fugir. Portanto, não haja aqui muitas dúvidas, quanto a este disco: não é algo para se ouvir de modo leve. Afinal, é por álbuns como este que a crítica inventou o termo "sadcore", que de ambíguo terá muito pouco e não deixa espaço para grandes divagações.
Cada som tem aqui um papel de instrumento, pois não serão estes a tocar os anteriores. Aqui é o tempo que cada som pode ter, que define a estrutura da música. O ritmo que a música pode ter, é igualmente moldada ao factor tempo e muitas vezes tem a cadência de uma chuva no deserto mais inóspito. E a vozes... como, mesmo agora que escrevo isto ainda oiço aqueles coros femininos que embalam uma pessoa até ao fundo das canções. Ainda oiço pedaços de letras que me ficarão para sempre na memória...When we were young, and we wanted to die... Talvez haja alguém que se tenha sentido assim, como eles, num dia qualquer, quando era jovem.
Por esta ser uma crítica dividida, não me quero alongar muito mais, enquadrando a obra, ou falando das influências e origens da banda. Outras alturas haverão. Fiquem, pois, com as visões dos restantes colaboradores.




Visão de Rudi


Parece-me um álbum um pouco difícil de ouvir, muitas das músicas perdem-se em experiências pouco melódicas para os meus ouvidos, levando a que várias peças não sejam do meu agrado. Consigo dividir o álbum em dois, sendo na segunda metade que aparecem esses sons que causam estranheza aos meus aparelhos auditivos…porém, a primeira metade é bastante audível com músicas muito interessantes, embora um pouco tristes. São músicas que não me transmitem alegria, que não me animam, fazem-me lembrar a onda depressiva de Tindersticks, algumas mesmo um pouco mais deprimentes. As outras músicas não me fazem sentir vontade de voltar a ouvi-las. São uma confecção de vários sons de aspecto futurístico, que me fazem imaginar uma qualquer viagem intergaláctica, mas confesso que não consigo retirar nada delas…



Visão de Work Buy

"Sendo-me totalmente desconhecidos, banda e obra, estes Low apresentam-se neste “Trust” como uma banda pop-rock com sonoridades simples e descomplicadas, mas densas estruturas rítmicas simples.
Numa primeira audição o disco, a meu vêr, poderia acabar num EP de seis temas em que os sons lentos melódicos da Santa Trindade do Rock n’ Roll (guitarra, bateria e baixo) gerados pelos elementos do grupo se embatem com outras faixas baseadas em rifts rasgados e distorcidos. Como exemplo no primeiro caso temos "Tonight" e no segundo "Canada".

A tal estrutura rítmica descomplicada chega a ser despojada. Da simplicidade fazer algo grandioso é reduto de génio, mas os Low roçam a excelência sonora em “Candy Girl” (terceira faixa) em que o baixo e bateria compôem, por si só, esta melodia com guitarra a condimentar um rock arrastado e lento. O acústico está, também, presente e ao contrário do que se esperaria, condiz bem com as descargas eléctricas aqui e ali presentes nesta hora e quatro minutos oferecidas pelos “Low”.

Encontrar um limite superior e inferior para classificação deste albúm, incluindo género musical, ao fim ao cabo, o Santo Graal dos críticos musicais, torna-se difícil. Simplificando, Morphine meets Chris Isaak meets Enio Morricone seria uma aproximação tão disparatada como qualquer outra."


Visão de escrito

Antes de mais convirá referir que é a primeira vez que um disco dos Low me chega aos ouvidos.
“Trust” é um disco que acaba por me surpreender com uma solidez, coesão e uniformidade notáveis, que me parece apenas ao alcance ou de músicos prodigiosos ou muito experientes. Com um som esmagador, não por ser rápido ou enérgico, mas pela sua lentidão poderosa e pesada, no sentido de possuírem uma solenidade e soturnidade de quem efectivamente fala sobre doença e morte, acaba por ser um álbum intenso e rapidamente assimilável.
A qualidade musical é inequívoca embora os Low sejam daquelas bandas que só mesmo os grandes apreciadores do estilo vão ouvir os seus discos vezes sem conta. Isto não por seu demérito, obviamente, mas porque a sonoridade que produzem é muito complexa, intensa, doentia e até cansativa. Para além do mais, e tendo a conta os estilos a que estou mais habituado, ouvir este “Trust” provocou-me uma certa confusão, visto que em certos momentos dei por mim a estranhar que uma envolvência tão sombria e carregada possa vir acompanhada de uns registos vocais que aqui e ali me fazem lembrar... Simon & Garfunkel. E é capaz de ser aqui que este disco se afasta quase irremediavelmente do meu leitor, com muita pena minha, principalmente ao conseguir reconhecer a capacidade desta banda em criar sons tão promissoramente adoentados.
De destacar, quanto a mim (e não desdenhando as restantes), a 1ª faixa, “(That's How You Sing) Amazing Grace” por funcionar perfeitamente como música introdutória ao chamar decididamente a atenção para o que se segue; a 3ª faixa, “Candy Girl”, simples mas firme e obcecada; a 9ª música, “John Prine”, moribunda mas intempestiva; e a 12ª “Point of disgust”, com os melhores registos vocais do disco e de uma beleza requintada.
Uma proposta muito agradável (com zero de ingenuidade, precipitação ou imaturidade, antes pelo contrário - calculado ao milímetro e nitidamente genuíno) que valerá mesmo a pena conhecer e que certamente voltará a soar no meu leitor.


Visão de Kid Cavaquinho

A primeira experiência auditiva deste disco chega a ser a suficiente para
alcançar uma otite, pois repara-se que existe qualquer coisa de doce, algumas fragâncias enebriadoras que provocam sensações de calmaria.
Tal como o nome do album indica, há que ganhar confiança a cada música que nos é sugerida sabendo o que nos espera é na sua quase totalidade peças melódicas lentas como a própria referênia do grupo é indiciadora.
Observa-se uma homogeneidade de todo o trabalho nestas linhas mais lentas, com algumas excepções que sinceramente não contribuem muito bem para todo o novelo sonoro. Igualmente é discernível que a voz, é elemento secundário e que talvez por isso as performances do vocalista não se destacam, nomeadamente a qualidade do timbre. Mas falando das mais valias, que são as que interessam e valem a aquisição deste disco, "Trust" é um desses objectos que funcionam em espiral que tal como encarnam através do play reencarnam muito facilmente em mode repeat. Uma das noções que me levam a dizer isto, é facto da transportação para os ambientes nordoestinos norte americanos que nos remetem para a série televisiva "Twin Peaks" e para a sua banda sonora. Diria que o trabalho dos "Low" é como um rio longuíssimo, sinuoso, ora cintilante ora opaco em que o que é transportado é algo mais pesado que a simples água.
Atrevo-me a descreve-lo como sons com a mesma densidade específica que o mel verde, o mesmo que que nos encerra as palpebras e soporiza as vontades, os delírios e as ausências.





[INFO] Thievery Corporation e Ursula 1000

O novo trabalho dos Thievery Corporation está à venda. “Babylon Rewond”, um EP de edição limitada, ficou disponível no início deste mês e conta com oito misturas não editadas anteriormente do albúm “The Richest Man In Babylon”. As misturas ficaram a cargo de Kid Loco, Thievery Corporation e Manoah. Este último trabalhou sobre "Truth And Rights”, uma faixa inédita do duo de Washington D.C. O CD contém, ainda, um vídeo da faixa "The Richest Man In Babylon".
+info: ESL Music

“Ursadelica” é um novo disco dos Ursula 1000. Tem como particularidade ser um trabalho de 20 faixas misturadas de jazz breaks, sons latinos, soul psicadélica, electro-disco e bastante ecletismo.
+ info: ESL Music

quinta-feira, novembro 11, 2004

[Concerto] Antony no LUX

Ir a um concerto, sem se conhecer quem por lá toca, o que é que ele toca e se isso nos toca, tem tudo de descoberta, de novo e de esperança que afinal, possa ser algo para recordar. Portanto, noite fria lisboeta, ainda para mais junto ao rio, dois concertos na calha e um quase total desconhecimento dos intervenientes.
O primeiro e único que vos vou falar, Antony, chegou por volta da 0:15 ao palco. E antes de mais, aqui fica o desabafo: não quero saber que o concerto seja num espaço de consumo, que o sítio se propicie apenas para horas tardias, que haja alguém com dor de cabeça. Um concerto é marcado para uma hora específica, neste caso 23:00 e é intolerável tal atraso. Bem sei que vivemos num país onde impera esta cultura do não chegar a horas, mas para quem paga um bilhete, isto é uma enorme falta de respeito. Ser mal atendido é inadmissível nos dias que correm! No meu caso, tudo isto somado, implicou que não visse as CocoRosie, devido ao adiantado da hora. Repito, inadmissível!
Mudemos de assunto e passemos às coisas boas, pois foi realmente muito bom ver Antony em palco. A minha ignorância perante a sua obra (algo a colmatar rapidamente), permitiu-me ver a sua prestação sem qualquer ideia pré-concebida, o que tendo em conta as suas idiossincrasias, deixou-me ainda mais surpreso e agradado. Acompanhado por um guitarrista e por vezes deslizando para o paino, encheu toda a sala com a sua voz algo frágil, quebrada, sensível, operática contando histórias decerto suas, pela emoção que transparecia nas suas interpretações.
Quando canta parece que o seu espírito quer sair do seu corpo, como se aquele fosse maior que este, o que só acontece em artistas verdadeiramente notáveis.
Espero que o futuro reserve um lugar especial para este Antony. Nem que seja pela simpatia e afabilidade com que presenteou todos aqueles que o viram nesta noite, que se fria lá fora, dentro, aqueceu como se houvesse uma lareira acesa e um chá quente à nossa espera.
Não vi as CocoRosie, para grande pena minha. Culpa já atribuída.

[DISCO: vintage] The Solid Doctor ““Beats Means High”



The Solid Doctor, Steven Cobby, é uma entidade efémera enquanto artista, mas mais consequente enquanto front-man da Pork Recordings que albergou já Baby Mamooth, Fila Brazillia (uma das suas metades juntamente com Dave McSherry) entre outros.

Este “Beats Means High” surge em plena explosão trip-hop (este trabalho data de 1996) protagonizada pelos musicos de Bristol e sugere misturas entre electrónica, dub, house e hip-hop.

Steven Cobby lança este trabalho no ano seguinte a “How About Some Ether?: Collected Works 93-95”, uma complação dos seus singles e trabalhos a solo. Com esta etapa cumprida The Solid Doctor realiza este albúm onde se distancia dos sons de Fila Brazillia pela sua dureza e pela sua base melódica mais electrónica e menos orgânica. De facto, apesar de termos faixas que remetem a uma ligação a Fila Brazillia como “Intanauts” ou “Faustian Bargain” (neste caso temos uma colagem ao trabalho do duo devido ao seu groove de baixos e ao “spoken word”) a electrónica presente noutros temas distanciam “Beats Means High” dessa “inevitabilidade”.

Como albúm de trip-hop que é (ou se apresenta) a fusão multidireccional permite uma frescura de géneros musicais durante os setenta minutos de música; Mais ainda, apesar de temas up e downtempo se misturarem (“Sybarit” e “Daddy Mik Mik” com “Our Sorrow”, uma exploração dub mediana) duas faixas sobressaiem: “In The Offing”: uma viagem midtempo com breakbeats leves coadjuvados por um loop de graves melódicos que estrutura toda a faixa. “Intanauts”, uma imagem de Bristol em meados dos noventas com uma linha de baixo muito relaxada e uma conjunto quase aleatório nas percursões escolhidas própria para um dia frio com uma chávena de uma reconfortante bebida a vêr chuva cair. Ainda como temas marcantes apontamos “Faustian Bargain”, uma obra que uma qualquer trabalho dos Fila Brazillia não iria desdenhar pela atmosfera jazzy e orgânica de ritmos.

“Beats Means High” não é um “must-have” numa discografia, mas sem dúvida que condimenta – e muito – uma colecção de discos.

[Pork Recordings “Beats Means High”, Pork 030, 1996]

nota: Abrir o ficheiros numa nova página. Todos os ficheiros (não completos) em MP3.

quarta-feira, novembro 10, 2004

[concerto] Rammstein - Pavilhão Atlântico - 09/11/2004


Os alemães Rammstein estiveram no Pavilhão Atlântico, Lisboa, ontem à noite.
A expectativa era grande, principalmente para ver como funcionariam ao vivo as músicas de "Reise, Reise" - o último álbum mais complexo, experimental e maduro que os anteriores, embora sem fugir à habitual fórmula que usam.
Reise, Reise” (que estará mesmo uns bons furos abaixo do anterior "Mutter" - para muitos o melhor disco dos Rammstein até ao momento) será um disco mais pormenorizado que leva tempo a descobrir, daí talvez que só vai começando a "entrar" definitivamente no ouvido após várias insistências. Talvez seja esta a grande diferença relativamente aos outros discos, porque estes "entravam" à primeira, o que fazia dispensar, por exemplo, a necessidade de traduzir as letras; neste último disco já damos por nós a procurar alguns significados.
Adicionalmente, a expectativa quanto à componente mais teatral e pirotécnica, já que a fasquia vinha elevada das tours anteriores.
A dúvida começou a desfazer-se logo de início, quando nos deparamos com um palco várias vezes maior que o do Pavilhão do Restelo (em finais de 2001), e de aspecto imponente e misto industrial-apocalíptico. A partir daí, foi um inferno galopante de chamas despejadas em todas as direcções. Vindo de toda a parte, em direcção ao tecto, músicos e até ao público, diversas queimaduras de 1º, 2º e 3º foram surgindo, para delírio do milhares de fãs que enchiam o Atlântico.
Assinalável a novidade, pois então, duma maior atenção dada ao jogo de luzes e outros mecanismos que deixaram o palco em movimento do princípio ao fim.
E é isto mesmo que caracteriza um concerto dos Rammstein: o facto de, só depois destas linhas todas, chegar à parte da música em si.
Foi um concerto bem focado no último álbum (com "Reise, Reise", "Keine Lust", "Morgenstern", "Mein Teil", "Stein Um Stein", "Los", "Moskau", "Amerika" e "Ohne Dich"), juntamente com outros registos (como "Links 2,3,4", "Feuer Frei!", "Rein Raus", "Du Riechst So Gut", "Du Hast", "Sehnsucht", "Rammstein", "Sonne", "Ich Will" e "Stripped"), alguns deles já considerados clássicos.
De destacar, sem dúvida, que algumas das músicas do último disco funcionaram bem ao vivo, contrastando com outras que nem por isso, como o caso de "Los" que manifestamente soa bem melhor no disco. Além disso, fazer sobressair "Mein Teil" (a tal música que fala sobre um canibal que, através de um anúncio, conseguiu ter "companhia" para um jantar de contornos rocambolescos - basta referir que "Mein Teil" quer dizer "Meu instrumento" para se ficar a saber qual foi a ementa...) que após um início devastador, surpreendeu tudo e todos com a aparição de um enorme panelão, com o teclista da banda dentro, sendo que o vocalista (vestido de cozinheiro) o cozeu barbaramente com um lança-chamas de proporções assombrosas.
Nota máxima para o público que rapidamente conquistou a banda (que bem soube reconhecer) e que acompanhou exemplarmente do princípio ao fim, especialmente em “Du Hast” e no envolvente, incendiado e esmagador “Du Riechst So Gut”.
Memorável para os fãs.


terça-feira, novembro 09, 2004

[vinyl] SITIO DO PICA PAU AMARELO

A partida poderia supor-se que o vinyl que reunisse algumas músicas do programa infantil brasileiro que passou nos televisores nos anos 70 e 80 , fossem direccionadas para o pequeno público. A desmistificação desta ideia surge de uma descoberta abismal de um vinyl antigo. Para quem se lembra, o Sítio contava as aventuras de duas crianças citadinas de férias num povoado rural onde as peripécias contavam com seres enfabulados como a Emília ( boneca falante), o Saci, a Cuca ou o Visconde sabugo de milho entre outros demais. O grande nível dramático e avontade por parte dos actores permitiu miscísgenar os sonhos das crianças e o mundo real dos adultos,recorrendo a uma linguagem para adolescentes.

O disco começa com uma das melhores músicas de todo o alinhamento, ‘Narizinho’ na linda voz de (Lucinha Lins). A sobremesa na forma de um molotof, ou seja, uma voz caramelizada numa estrutura melódica tão leve como umas claras em castelo levantadas.
A seguintes faixas após ‘ploquet pluft nhoque’ e ‘peixe’ são ‘saci‘ o espírito moleque descrito por um quarteto vocal acompanhado por um fagote e ‘Visconde de Sabugosa’ pelo o grande (João Bosco), um dos precussores da bossa nova, exímio e capataz do violão. Do estilo de malandragem para uma interpretação mais adequada a novela da Globo vem ’Dona Benta‘,um título de homenagem à avózinha contadora de histórias por (Zé Luis).
‘Marmelada de banana, bananada de goiaba, goiabada de marmelo... sítio do picapau amarelo sítio do picapau amarelo... ‘, pois é, quem não se lembra deste refrão no início do programa cantado pelo o agora ministro de cultura brasileiro (Gilberto Gil). A alegria pura tropicalista do baiano num grande hino para a infância de pelo menos 3 gerações.
Pedrinho’ e ‘Arraial dos tucanos’ dois registos mais, o primeiro a fazer lembrar o new age brasileiro do anos 70 pelo o agrupamento (Aquarios), o segundo uma bela rábula sertaneja com rabeca e concertinas à mistura.
Depois segue-se uma canção que quase na sua totalidade é de embalar, e na qual o mestre (Dorival Caymmi) e o seu violão visitam a memória de ‘Tia Anastácia’, a simpática ama que fazia pitéus deliciosos e que tanto se arreliava com as travessuras de Saci e Emília. Tia Anastácia já partiu para o outro lado , mas na memória da criançada hoje quase quarentona ficou aquele enorme sorriso.
O que vem logo a seguir é um clássico, ‘passaredo’ por mais um quarteto vocal, desta vez masculino e melhor do Brasil (MP4).
Sergio Ricardo é um compositor desconhecido entre nós no mundo da música popular brasileira (MPB), talvez ensombrado pelo os monstros sagrados como os Caetano Velosos, as Gal Costas, as Elis Reginas,etc..., mas o tema a que deu corpo (Emília) revela-o como uma pérola ainda fechada por uma concha com o formato desse país gigante.
Para finalizar esta obra, uma viagem pelas lengas lengas emergentes dos fantasmas do pantanal ou da imensa floresta amazónica ; (Marlui Miranda e Jards Macale) é ‘Tio Barnabé’ que ora se ri de tudo ora corre apavorado contando ofegante os sustos que apanha. É o quotidiano dos que optaram sucumbir à beleza da Natureza rezando aos orixás para que esse universo de magia lhes proteja os sonhos.
: Nessa mata tem flores, os olhos do Saci, mulatos com suas cores, gentes com os seu amores,..., e os orixás que nos acudam que nos valem nessa hora :
Neste disco ainda haveria lugar para a temível Cuca ou para o confuso Zé Carneiro, mas por certo que na riqueza da ( MPB),se encontrará quem lhes tenha feito no som igualmente eternos.

http://www.memorychips.com.br/Lembra26.htm

domingo, novembro 07, 2004

[info] Dead Can Dance on tour!


Está já confirmado... e os meus dedos tremem ao escrevê-lo, tal como vão tremendo inúmeros dedos por esses fóruns fora quando o tema é este. Os Dead Can Dance reuniram-se e vão mesmo entrar em digressão!

Sem demora, aqui ficam as datas Europeias da "Reunion Tour" (como alguns já lhe vão chamando) dos Dead Can Dance:

10/03/2005 - Irlanda - DUBLIN (Olympia)
12/03/2005 - Holanda - THE HAGUE (NCC Prins Willem Alexander Zaal)
14/03/2005 - França - PARIS (Palais Des Congres)
16/03/2005 - França - LILLE (Salle Vauban)
17/03/2005 - Bélgica - BRUXELLES (Bozar)
19/03/2005 - França - BORDEAUX (Salle La Femina)
21/03/2005 - Espanha - MADRID (Teatro Lope De Vega)
22/03/2005 - Espanha - BARCELONA (Auditori)
24/03/2005 - Itália - MILAN (Teatro Dal Verme)
26/03/2005 - Alemanha - COLOGNE (Philarmonie)
27/03/2005 - Alemanha - MUNICH (Philarmonie)
29/03/2005 - Alemanha - BERLIN (Philarmonie)
31/03/2005 - Polónia - VARSOVIE (Sala Kongresowa)
01/04/2005 - Letónia - RIGA (Dome Cathedral)
03/04/2005 - Rússia - SAINT PETERSBURG
06/04/2005 - Inglaterra - LONDRES (Barbican)

Os bilhetes já se encontram à venda para muitos destes concertos e mais datas estão para ser anunciadas brevemente.

A loucura e espectativa reinam entre os fãs, impulsionado também pela palavras de Lisa Gerrard que refere que a escolha dos "músicos é absolutamente fenomenal, ou até mais do que isso!", acrescentando ainda que "este será sem dúvida o concerto de Dead Can Dance para ir, sendo difícil conter a excitação" acabando mesmo por dizer que esta será "a ocasião de uma vida... e não me venham dizer que não avisei!".

Passados vários anos após a separação (1998), os Dead Can Dance (Lisa Gerrard e Brendan Perry) voltarão a fazer as delícias do seu público que com grande naturalidade se foi rendendo ao som alternativo e magistral que produziram desde a sua origem (1981).

Absolutamente uma grande notícia para o mundo da música.

Os links aconselhados são:
» Site oficial de Lisa Gerrard (com um passatempo que oferece 2 passes para os bastidores de um dos concertos)
» Site oficial de Brendan Perry
» Info sobre Dead Can Dance

sábado, novembro 06, 2004

[Concerto] Sloppy Joe na ZDB

Estes rapazes e raparigas do Porto desceram até Lisboa para nos apresentarem em concerto, na galeria Zé dos Bois nesta última quinta-feira, o seu primeiro trabalho intitulado Flic Flac Circus.
Uma sala pequena, cheia de gente aguardava há já uma hora a entrada em palco dos Sloppy Joe, alguém me disse que tinham ido fazer o gosto ao dente pelo Bairro Alto…pronto, pronto…estão desculpados pelo atraso…porque valeu a pena esperar!
Começou o concerto…o som estava um pouco alto para o tamanho da sala, mas aguentou-se. A banda é bastante completa, tocam um reggae/ska regado com influências funk, soul, dub, etc. o que dá um cozinhado bastante interessante.
Os Sloppy Joe são excelentes em palco, não só tocam bem as músicas como as tocam com paixão, como se fosse a primeira vez que as tocassem. Funcionam muito bem em palco demonstrando muita cumplicidade entre si. O concerto deve ter demorado pouco mais de uma hora, tempo suficiente para tocarem todas ou quase todas as músicas do seu álbum (confesso que ainda não o ouvi). O público correspondeu em força, acompanhando as mais conhecidas como Six Little Monsters (esta teve direito a repetição!) ou Burnin' Ship.
No fim desta curta hora os Sloppy Joe despediram-se e esperemos que voltem em breve!

quinta-feira, novembro 04, 2004

[entrevista] "Equilibrium Music"

Cada vez mais o “Otites” vai-se demarcando e criando uma imagem própria, num formato que ainda não está totalmente explorado, e numa altura em que alguns trunfos estão ainda por lançar.
Desta feita, e constituindo uma estreia neste blog, temos o orgulho de apresentar uma entrevista em exclusivo com a editora "Equilibrium Music".
Tratando-se de um facto assinalável, a título de excepção este será um post mais extenso do que aquilo que tem sido o nosso costume, mas julgo valer bem a pena e sou da opinião que a entrevista faz sentido como um todo, rejeitando assim a hipótese de a dividir em 3 ou 4 posts diferentes.


Dando os primeiros passos a meio do ano 2000, a editora Equilibrium Music surge como base de sustento, em Portugal, para os géneros relacionados com darkwave, medieval, darkfolk e afins. Tendo começado como uma companhia de distribuição, a Equilibrium Music lança o primeiro registo em Setembro de 2001 – os Portugueses Dwelling. Este seria apenas o início de um dos projectos mais interessantes a nível nacional, e hoje a Equilibrium Music encontra-se já ligada a importantes nomes nacionais e internacionais do género, como os Aenima, Melian, Ataraxia, Lupercalia, apenas para mencionar alguns.
É então com enorme prazer que o “Otites” vê concedida uma entrevista exclusiva com um dos mentores deste projecto, João Monteiro.

1. Como é que surgiu a ideia, e depois a oportunidade, de iniciar este projecto?
R: Já há algum tempo que eu e Nuno Roberto, com quem trabalho em parceria na Equilibrium Music, falávamos em criar um projecto comum, dados os gostos que partilhávamos. Esta intenção acabou por originar a ideia de criarmos uma editora, e consequentemente uma estrutura de distribuição e suporte, para géneros ainda pouco conhecidos, ou algo marginalizados, em Portugal, que toquem o Neo-Clássico, o Ambiental, o Medieval, o Industrial, e várias outras correntes relacionadas.
O envolvimento em algumas publicações no passado proporcionou os contactos necessários para arrancar com o projecto, que acabou por ser iniciado em meados do ano 2000.

2. Qual é a filosofia da Equilibrium Music e o que a distingue de outras editoras?
R: Sem querer repetir o que a maioria das editoras responderia, gostamos de pensar que a aposta da Equilibrium se foca principalmente na qualidade, ao invés duma postura estritamente comercial. Temos um critério bastante selectivo em relação aos projectos que editamos, e em geral é-nos mais importante poder acreditar num projecto pela música que fazem (e como pessoas, também), do que pela sua viabilidade financeira e potencial comercial.
Em termos mais concretos, a orientação da Equilibrium Music dirige-se a géneros mais próximos do Neo-Clássico ou Medieval, com preferência para projectos que explorem sonoridades acústicas, aliadas a um trabalho de voz interessante e distinto, e que tenham já atingido um nível de maturidade considerável no seu trabalho. Tanto quanto sabemos, é uma orientação ainda pouco explorada, quer em Portugal, quer no estrangeiro, dentro de moldes tão especifícos.

3. Qual é o teu background a nível musical, e em particular relacionado com os géneros abrangidos?
R: Antes da Equilibrium Music, fui o responsável pela Dark Oath Magazine, cuja evolução culminou numa revista que apresentava um conteúdo híbrido entre os géneros que a Equilibrium Music representa agora e vertentes menos vulgares dentro do Metal ou do Gótico.
Fui também colaborador do Underworld/Entulho Informativo e da Riff durante algum tempo.
Além da participação nestas publicações, existe também Chants for the Fallen, um projecto cuja sonoridade varia entre o Neo-Clássico e o Medieval, e que se encontra em fase de hibernação durante algum tempo após duas participações em compilações editadas pela Palace of Worms em Itália e pela Dragonflight Recordings dos Estados Unidos.
Mais recentemente surgiu também a oportunidade de trabalhar com Luigi Rubino, dos italianos Ashram, num novo projecto que, se tudo correr como esperamos, teremos oportunidade de apresentar em breve.

4. Quais são os nomes mais importantes que a Equilibrium Music representa actualmente?
R: Penso que a possibilidade de trabalharmos com Ataraxia, quer na edição do seu álbum ao vivo, quer na edição do trabalho a solo do seu guitarrista Vittorio Vandelli, será talvez um ponto alto para nós, pela notoriedade que os Ataraxia têm já neste meio. Como editora, a Equilibrium alberga também projectos como Dwelling e Lupercalia, e estamos neste momento em negociações com outros projectos com vista a futuras colaborações.
A nível de distribuição, a parceria com a editora sueca Cold Meat Industry representa um dos pontos fortes da Equilibrium, a par de outras como a Tesco, Prophecy Productions, Prikosnovenie, Black Rain, Middle Pillar, Projekt, Holy, Palace of Worms, Eibon, Old Europa Cafe, Eternal Soul ou HauRuck!, algumas ainda com uma relevância relativamente pequena no nosso país, mas que são fortes referências neste meio.

5. Qual a tua posição relativamente à partilha de ficheiros mp3 pela internet?
R: É uma questão que daria muito que falar, mas basicamente, concordo apenas parcialmente com a partilha de ficheiros mp3, visto que, para muita gente, é uma forma demasiado fácil e cómoda de obter música que acaba por afastá-las de um certo culto que implicava a procura por novas sonoridades há uns anos atrás. Talvez nem todos entendam o que quero dizer com isto, mas o facto de leres numa fanzine obscura acerca de uma banda que te parece interessante, e acabares por ter que encomendar o disco do outro lado do Mundo porque caso contrário nunca o conseguirias ter, dava um gosto especial às coisas. Neste momento, provavelmente demorarás poucas horas para encontrar o que queres na internet, e acho que o desinteresse geral pela música, não apenas como indústria, mas também como forma de expressão que vá além da imbecilidade comercialoide, se deve muito a este fácil acesso às coisas, que acaba por ser uma consequência inevitável dos tempos que correm, infelizmente.
Ainda que seja uma ferramenta benéfica para a divulgação de novos projectos, a partilha de ficheiros por este meio resulta também numa forma de parasitismo para muitas pessoas cuja colecção musical se limita a ficheiros que sacaram da internet, porque não estão para se dar ao trabalho de adquirir o CD, seja porque é díficil encontrá-lo, porque é caro, ou por quaisquer outras razões, que nem sempre servem de desculpa.

6. A promoção é difícil de levar a cabo para o género musical que a Equilibrium Music abrange. Que portas estão abertas e quais estão fechadas?
R: Ocasionalmente, surgem algumas surpresas agradáveis que proporcionam algumas oportunidades de promoção, embora estas em geral surjam por parte de revistas ligadas a outros géneros alternativos, como a Rock Sound, a Blast ou a Umbigo, que foram, das publicações que chegam às bancas, das poucas em que conseguimos alguma exposição sem necessidade de recorrer aos lobbies obscuros que parecem ditar as regras em outros jornais ou revistas, bem como na rádio. Ainda que sejam géneros pouco habituais, acredito que haja espaço para aquilo que representamos junto do público, logo que estes tenham oportunidade de o conhecer, mas é difícil conseguir atenção quando são coisas alheias inclusivamente à maioria das pessoas que trabalha no meio.

7. Como descreves a cena darkwave, darkfolk e afins actualmente em Portugal? Que diferenças encontras em relação ao passado? Quais são as perspectivas para o futuro?
R: Não creio que exista uma cena darkwave/darkfolk, etc., por si só em Portugal; acho que vai existindo como parte integrante de outros movimentos alternativos como o Gótico, ou o Metal, e dificilmente se destaca como algo único. Em parte, penso que o darkfolk e/ou o darkwave, e restantes sonoridades que predominam na Equilibrium, acaba por gerar um tipo de dinâmica que não apresenta grande predisposição para originar um movimento ou uma cena autosuficiente, talvez porque boa parte das pessoas mais ligadas a este meio acabam por já ter entrado numa idade mais adulta, em que não faz tanto sentido teres dinâmicas de grupo como as que se geram em termos do Metal, ou do Gótico, por exemplo, que em grande parte se relacionam com uma fase mais adolescente pela qual todos passamos.
Tendo dito isto, acabam por ser notórios os esforços e actividades que vão surgindo ligados ao meio, de qualquer forma – por exemplo, os eventos organizados pela Terra Fria, em Sintra, ou as noites de música ambiental que têm lugar no TocSin, em Lisboa. Por um lado, tenho a sensação de que o interesse, e o grupo de pessoas que acompanha este tipo de sonoridades talvez seja menor nos dias que correm (ou pelo menos terá um perfil diferente do que tinha há uns anos atrás), mas em compensação existem outros tipos de eventos, entidades e actividades que não existiam até há pouco tempo atrás, bem como alguns projectos musicais dentro deste meio, que começam já a ter uma recepção bastante positiva mesmo junto do público estrangeiro, como é o caso dos Dwelling, dos Karnnos, Wolfskin e restantes projectos relaccionados com a Reaping Horde, e dos Sangre Cavallum ou Kurz.
Tenho algumas dificuldades em antever o que trará o futuro, mas existe ainda bastante espaço para o meio crescer relativamente a estes géneros em Portugal.

8. Quais são os projectos para o futuro da Equilibrium Music?
R: Neste momento, estamos a fazer os preparativos para a edição do album ao vivo de Ataraxia e Autunna et sa Rose, que sairá ainda antes do final do ano, se tudo correr como esperado, e temos ainda uma parte da promoção ao trabalho de Vittorio Vandelli, editado recentemente, por completar.
Existem alguns projectos com quem estamos a discutir uma possível colaboração, como referi antes, mas para já não há nada em concreto que possamos anunciar ainda, e em geral preferimos não anunciar nada antes de estar tudo confirmado.
Em termos de distribuição, contamos poder apresentar uma parte do nosso catálogo a várias lojas do país e tentar assim conseguir mais alguma exposição, de uma forma mais imediata, para quem tem ainda algum receio de fazer encomendas por correio. Haverá também uma versão em Português do nosso site disponível em breve, já agora.

9. Quais são os 5 discos que mais têm “rodado” presentemente no teu leitor?
R: Vittorio Vandelli – A Day of Warm Rain in Heaven; a compilação “Flowers Made of Snow”; Derniére Volonté – Commemoration; Neither/NeitherWorld – Rewound; Puissance – State Collapse.

10. Tens algumas palavras finais que queiras dirigir aos leitores?
R: Antes de mais, gostaria de agradecer ao Otites pelo interesse demonstrado e pela oportunidade de falarmos um pouco acerca do nosso trabalho. Espero que desperte o interesse dos vossos leitores, e que os motive a visitar o nosso site e a descobrir novas sonoridades. Teremos todo o prazer em receber todo o tipo de feedback.



Ficam os agradecimentos especiais do "Otites" à Equilibrium Music, em particular ao João Monteiro, pela atenção dispensada.

» Site oficial da Equilibrium Music

segunda-feira, novembro 01, 2004

[Concerto] Mísia "Canto"

As noites de Sintra têm a tendência de serem frias e húmidas, ainda mais numa noite de fins de Outubro. Faz parte do seu encanto.
E para encantar, nada há como um concerto de Mísia, toda a gente sabe. Prometia ser, pois então, uma noite encantadora.
Veio assim este concerto em Sintra para promover, de novo em solo nacional, o seu último "Canto", albúm que pegando em canções de Carlos Paredes, dá voz em forma de palavras, aos temas que lhes deram origem. Um presente em forma de disco, para esse artista maior.
O concerto teve lugar no Olga Cadaval, sala que se pauta por um extremo bom gosto nos mais pequenos pormenores e por óptimas condições acústicas. Excelente.
O concerto, pois então. Começou com um instrumental, despique entre guitarra clássica e portuguesa, que aquece os dedos de quem as toca e o ambiente para ela. Ela.
Elegante, como sempre, desfia alguns fados já conhecidos e outros por conhecer num albúm a gravar em breve. À primeira audição, não surpreendem, mas soam muito bem. Mas as surpresas, que as há, ficam para o fim.
Vêm então as canções de Paredes. E com elas mais três instrumentistas, que formam a pequena secção de cordas, essencial para dar forma ao que se ouve no "Canto". E como estas músicas amadureceram bem. Já as ouvi em duas prévias ocasiões, e de novo salta ao ouvido que a rodagem delas em palco, só as beneficia.
Tentando não apressar o fim do concerto, tem ainda de se lembrar o fado fetiche de Mísia, a "Lágrima" amaliana. É sempre um ponto alto nos seus concertos, embora desta vez haja a apontar um trinado deslocado da guitarra portuguesa, quase sempre irrepreensível. Talvez seja um preciosismo, mas o grau de excelência presente, leva a estas coisas.
É o que nos habituou uma Mísia, cada vez mais comunicativa em palco, talvez por lá se sentir, cada vez mais, como numa segunda casa.
E por fim, o fim. E que surpresa foi. Um bolero intitulado "Te estranho", que logo me fez sentir a falta do novo albúm ainda por gravar, que incluirá não só fados, mas também boleros e tangos. Sim, leram bem. Tangos, boleros e fados, que ela ouviu na sua infância.
Pois nem só de fado vive a maior fadista dos nossos tempos.

 

 

 

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