sábado, fevereiro 18, 2006

[DISCO] Coldcut "Sound Mirrors"



Uma das duplas mais influentes na música “de batida” está de volta após alguns anos em que se dedicaram a actividades mais económicas e menos musicais. Os Coldcut regressam com um disco que mantém características próprias da dupla Jon More e Matt Black: Fragmentos sonoros re-orientados sob a filosofia corta-e-cola e a base melódica em que estas parcelas se acomodam. Este “Sound Mirrors” (Edição limitada com line-up diferente da versão normal no mercado) congrega essa diversidade e originalidade que nos faz lembrar os tempos distantes dos Massive Attack em “Blue Lines”. Aliás esta variedade e imaginação pode ser bem a desculpa para considerar este disco o melhor dos Coldcut, mesmo que isso signifique destronar “Let Us Play” com a sua pérola “Atomic Moog 2000”.

Comecemos a viagem por um incisivo “Everything Is Under Control”, nada calmo ou confortável, antes forte, roqueiro e panfletário. Um warm-up prometedor. Segundo tema e o disco segue por viragens, curvas e contra-curvas até chegar ao dancehall sustentando por Roots Manuva, uma das numerosas entidades que participam em “Sound Mirrors” e Etno-Raffa-Broken-Beat parece-me um estilo apropriado para "True Skool" que choca com a melancolia de “Man In A Garage” adornada com violas acústicas e bleeps. O desgosto não estanca até nos levar ao ponto alto do disco: “Walk a mile”, “Walk a mile in my shoes/and before you abuse/criticise and acuse/walk a mile in my shoes” é o refrão de uma história de amor urbana com sons de cordas e percussão leve que Robert Owens cantaria entre isqueiros num concerto ao vivo com multidão de olhos vidrados. A Ninja Tune compara-a a “Autumn Leaves” (esperando o mesmo sucesso?), mas o desespero amoroso de hoje não se compadece com o glamour sofredor de “Autumn Leaves”. Quando estamos a esperar algo mais uptempo para nos salvar do mar de mágoa, eis que nos aparece à frente a banda sonora de uma vida frustrada, a de “Mr. Nichols”, mas carregada de esperança. Sexta faixa – “Sound Mirrors” - ainda lenta e negra, mas talvez por ser instrumental, eleva o espírito e fornece algum oxigénio entre sons dignos de banda sonora de filme. Foi o prelúdio de um cocktail de batidas e recortes sonoros com “Boogieman” que faz elevar a altitude deste “Sound Mirrors”; A linha de baixo que conversa com um loop uns violinos de som destruído é deliciosa e faz a ponte para “This Island Earth” e para “Just For The Kick”, onde a música de dança se reduz à sua base atómica: A batida. Temos dance-floor hit para mentes distantes em after-hours. Após outras faixas o disco desagua numas planantes “Colours Of The Soul”.

Com uma produção impecável, este disco inicia a viagem no cimo da montanha para lá terminar, após uma passagem arrastada por um vale sombrio. Os Coldcut no seu melhor que se mostram maduros com a orquestração das palavras doces ou amargas, positivas ou deprimidas, duras ou aconchegantes. É interessante acabar a audição a pensar que um disco dos Coldcut também vale pela sua mensagem lírica e não apenas pelas suas manipulações sonoras. Incontornável.

[Coldcut, “Sound Mirrors” 2005, Ninja Tune]

 

 

 

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