segunda-feira, outubro 24, 2005

[DISCO: crítica] Ladytron “Witching Hour”



Para os Ladytron, o epíteto “electroclash” morreu. Estranho para nós, mas verdade. Para quem ergue uma obra fantástica como “604” com temas destinados ao engrandecimento do sucesso do fenómeno “electro” como “CSKA Sofia”, “Discotraxx” entre outros, a inclusão de guitarras parece estranha, a menos que se filtrem, comutem e se alterem. Os Ladytron, com o seu último trabalho “Witching Hour” revitalizam o rock (“High Rise”, faixa inaugural é disso o exemplo perfeito), mas não o adoptam.

Após a audição do primeiro tema, todo ele Santa Trindade do Rock (guitarra, bateria e baixo), surge "Destroy Everything You Touch", que nos faz relembrar os velhos Ladytron de “604”. As guitarras não desaparecem, mas a sonoridade dos anos oitenta cruzada com a electrónica actual, afinal o electro-house que conhecemos, cativa-nos e não só pelo jogo de palavras que os Ladytron usam em “604”, recorrendo às memórias colectivas de todos nós (objectos, televisão, etc.). "Destroy Everything You Touch" não despreza as guitarras, antes as comuta em efeitos sónicos e algo sujos debaixo de uma componente rítmica simples e muito dançável. Depois destas duas faixas “uptempo” os Ladytron deixam-nos com “International dateline”, não tão dançável, mas candidata a música para encerrar uma pista, com rodopios alcoólicos ou devaneios desesperados de amor próprios de sonoridades neo-góticas: "Woke up in the evening/ To the sound of the screaming/ Through the walls that were bleeding/ All over me". Lentos, mas apenas q.b., os Ladytron mostram, em “Beauty”, uma vulnerabilidade fora do comum nos seus trabalhos o que demonstra uma maturidade merecida e alcançada neste “Witching Hour”; Exemplo disso é, também, a faixa de encerramento, “All the way”. Outros momentos altos incontornáveis neste disco são a sexta faixa, “Soft Power”, conjugação "electro-pop" vocalizada onde as vozes, ainda que “electrizadas”, permanecem com um sabor natural, muito femininas e melancólicas e ainda um outro tema interessante, “Weekend”, que cruza a estética rock com os sintetizadores planantes.

“Witching Hour” liberta os Ladytron do jugo do "electroclash", epíteto que os críticos e o público em geral não hesitaram em usar para classificar o trabalho da banda após “604”. Não tão imediato como o último disco, “Witching Hour” vai-se entranhando e mostrando algumas faixas de enorme qualidade.

[Ladytron “Witching Hour”, 2005, Island - CID 8163]

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