quarta-feira, maio 04, 2005

[Disco] Nine Inch Nails "With Teeth"

Premissa: Os Nine Inch Nails (NIN) são a minha banda favorita.

Corolário: O viés é, assim, indissociável ao texto abaixo apresentado.

Texto possível: Após 6 anos de espera chega um novo álbum dos NIN. “With Teeth” assim se chama e no OTITES já falámos da sua envolvente. Antes do texto propriamente dito aqui fica o seguinte aviso: na primeira parte falarei de cada tema do álbum (versão longa), na segunda da apreciação da obra na íntegra (versão curta). Daí que se não tiverem esperado por este álbum como quem espera uma lufada de fumo branco… talvez seja melhor passarem à segunda parte.

1 - Os primeiros sons revelam desde logo uma maior confiança nas capacidades vocais de Trent Reznor. “All The Love In The World” é um tema assombroso, perfeito para nos iniciarmos neste novo trabalho. Tema da melhor safra de NIN, desenvolve-se lentamente através de inúmeras camadas sonoras, do efeito hipnótico do piano, da violência duma espécie de refrão e prenuncia algo de muito bom.
O fim calmo, piano ao longe, é interrompido pela bateria brutal de “You know what you are”. Descarga visceral de decibéis raivosos, música ideal para catarse e libertações afins. Vizinhos irão sofrer decerto.
“The collector”. Que tema fantástico que deve ser ao vivo. Grandiloquente, magnânimo. Faz lembrar “The wretched” do anterior “The Fragile”. Ainda tenho dificuldade em aceitar que vou perder esta digressão… se algum responsável estiver a ler…
Segue-se o primeiro single “The hand that feeds”. Nunca os NIN foram tão abertamente políticos e a letra deste tema revela bem a posição sobre a política norte americana actual. É uma das músicas mais acessíveis que os NIN já fizeram, portanto uma escolha lógica para single de apresentação, mas inevitavelmente uma das que mais se desgastarão com as sucessivas audições.
“Love is not enough” é sem dúvida o tema mais fraco do álbum. Tentativa menos conseguida de expor as fragilidades da condição e isolamento humano, e menos conseguida é sem dúvida um eufemismo da minha parte.
Esta não é de todo a melhor parte do disco. As letras não são das mais inspiradas e “Everyday is exactly the same” peca só por isso. É o provável terceiro single e obviando a letra é bastante radio friendly.
O tema título mete o disco na linha, ou seja nos padrões de qualidade habituais para os NIN. Música bem distinta das conhecidas, mas que aqui se enquadra muito bem. Um novo fôlego para o que resta do álbum.
E o que resta é muito bom. Desde logo o segundo single “Only”, com vídeo a ser gravado por David Fincher, mas que já não realiza um vídeo clip desde “Judith” dos A Perfect Circle. O tema é um synth pop a dar para os Human League, mas um pouco mais pesado e com uma excelente linha de baixo. A escolha para single envolve algum risco, mas quem sabe com um vídeo à altura dos pergaminhos da banda e do realizador, talvez seja um êxito alternativo de Verão. Já houve coisas bem mais esquisitas.
Segue-se “Getting Smaller”, com a participação de Dave Grohl na bateria. É um tema pesado para apagar da memória o tema anterior e mostrar a raiva sempre latente aos NIN. Presença predominante das guitarras.
Mais calmo “Sunspots”. Alguma lascívia corre neste tema, mas nada que o tire da linha. Nada parecido com um “I want to fuck like an animal”. O álbum parece agora seguir altos e baixos, respirando quando precisa. E precisa.
É que a recta final é simplesmente magnífica. Três temas do melhor que já ouvi dos NIN. “The line begins to blur”, “Beside You in Time” e “Right were it belongs”. Aqui já não há palavras que os descrevam. Se o tentasse só leriam adjectivos colados uns aos outros sem nexo aparente. Lindo, soberbo, espantoso e outros que tais.
E o último tema deixa um gosto a... sente-se que... é mesmo um tema de esperança... os tempos correm mesmo diferentes para os lados dos NIN.
NIN ao seu melhor nível e que mostra bem que depois de tanto tempo vale a pena esperar.

2. Este “With Teeth” não é o melhor da carreira dos NIN. Quando existem álbuns como “The Fragile” ou “The Downward Spiral” as comparações são difíceis, mas quem espera encontrar a excelência das obras anteriores, não a encontrará. Aliás existem aqui momentos que pecam pela qualidade, tais como “Love is Not Enough”.
No entanto, este disco é, ainda assim, fenomenal! Existem aqui temas que elevam a qualidade musical a píncaros quase inalcançáveis para o comum dos mortais, casos de “Beside You in Time” e “All The Love In The World”. E a coerência dos temas, a passagem de um para os outros...
Embora um álbum de canções (por oposição a um conceptual) tudo parece ligar. Existe um estado de espírito que corre pelo disco, agora menos negro que em obras anteriores, mas ainda muito longe de um luminoso. Mais guitarras, maior confiança a nível vocal, maior acessibilidade nos temas apresentados. Não tenho dúvidas que desagradará a alguns fãs, mas não se pode agradar a todos. E a mim, modestamente, um grande fã de NIN, agrada-me muito…
Para resumir, sem dúvida um dos álbuns a ter em conta na contagem do melhor do ano. Nessa altura falaremos.

Sítio oficial dos NIN.

Podem ouvir o álbum na íntegra, sem pagar, subscrever, ou oferecer a alma ao demo aqui.

 

 

 

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